Volume I - Renascimento no Reino das Ilusões Capítulo VI - As Nove Transmutações Celestiais
Capítulo Seis — As Nove Transformações Celestiais
O campo de treinamento já estava repleto de pessoas; era raro que o Ancião Zhao demonstrasse pessoalmente sua técnica divina, por isso a maioria dos discípulos acorreu ao local ao saber da notícia. Embora todos soubessem que, sem a combinação com a fórmula mental correspondente, aprender a técnica seria inútil, ainda assim, assistir à apresentação do próprio Ancião Zhao já era um espetáculo digno de atenção. Ademais, somente a exibição desses movimentos bastava para ofuscar os olhos de muitos.
Quando Bai Fei e Yun Ling chegaram, o Ancião Zhao já executava a “Sexta Transformação” das “Nove Transformações Celestiais”, sendo este o nível mais elevado que dominava. Entre os membros do Clã Celestial, apenas Zi Yan se aproximava desse patamar, enquanto os outros três anciãos permaneciam no quinto nível; os demais discípulos sequer chegavam perto. Yun Ling confidenciou a Bai Fei que o irmão mais velho, Yun Xiao, também estava no quinto nível, ao passo que Yun Rou, Lan Qing, Mo Lan e Wang Yu mal haviam atingido o quarto. Quanto aos outros discípulos, ou o cultivo era insuficiente ou estavam apenas iniciando.
Percebendo que Yun Rou e as demais se agrupavam em torno de Wang Yu, Bai Fei preferiu não se juntar à aglomeração, permanecendo ao lado de Yun Ling e de alguns discípulos de nível inferior, para assistir à demonstração do Ancião Zhao.
O Ancião Zhao, ao avistar sua neta e o jovem mestre, interrompeu prontamente a apresentação e se dirigiu a Bai Fei para saudá-lo com uma reverência.
— Ancião Zhao, não precisa de formalidades — apressou-se Bai Fei a responder.
O público, absorto no espetáculo, viu-se abruptamente interrompido pela chegada de Bai Fei, o que causou certo desagrado. Vários pensaram: “Com um cultivo tão baixo, por que se intromete?” Zi Yan, em especial, lançava-lhe um olhar fulminante, tendo sido privada de uma preciosa epifania. Wang Yu, notando seu desagrado, segurou-lhe a mão delicada, acariciando-lhe suavemente a palma. Zi Yan, tomada de surpresa e ainda irritada, só percebeu o gesto após sentir o leve toque, e, corando intensamente, retirou bruscamente a mão, deixando Wang Yu em evidente embaraço.
— Ancião Zhao, poderia executar novamente desde o início? Gostaria de apreciar sua técnica — pediu Bai Fei, apreensivo por a demonstração estar prestes a terminar, contrariando a promessa feita a Yun Ling de levá-la para assistir ao espetáculo.
— Cumprirei a ordem do jovem mestre — respondeu respeitosamente o ancião, retornando ao centro do campo para recomeçar.
A primeira transformação, “Transformação da Arte Divina”, consiste em integrar todas as habilidades marciais aprendidas, inclusive conhecimentos diversos, e reorganizá-las em uma técnica divina personalizada. Como cada um possui diferentes aprendizagens, o poder resultante varia de acordo, não sendo necessariamente mais forte aquele que aprendeu mais, pois depende também do nível das habilidades, do cultivo e da percepção individual.
Bai Fei, observando atentamente, achou o processo surpreendentemente simples. Estranhou, pois ouvira que só seria possível cultivar tal técnica após derrotar o demônio interior pela primeira vez. Sendo seu próprio cultivo manifestamente inferior, por que a primeira transformação lhe parecia tão acessível? Olhou para Yun Ling ao lado, a qual exibia uma expressão de confusão e excitação, sem qualquer indício de compreensão. Bai Fei, intrigado, continuou assistindo ao desempenho do Ancião Zhao.
A segunda transformação, “Transformação dos Ossos e Músculos”, permite deslocar ou comprimir tendões e ossos, assemelhando-se à técnica de encolhimento ósseo, porém muito mais poderosa.
A terceira, “Transformação do Qi Interno”, converte o verdadeiro qi em golpes ofensivos, similar, mas distinta, ao uso da energia interna nas artes marciais.
A quarta, “Transformação da Consciência Divina”, quando dominada ao extremo, permite projetar a própria consciência para longe do corpo, dependendo da profundidade de cultivo e do domínio espiritual.
A quinta, “Transformação do Sangue e Qi”, possibilita controlar o fluxo sanguíneo, transferir pontos de acupuntura livremente e, ao máximo, enxergar o próprio interior com a consciência.
A sexta, “Transformação do Duplo”, como o nome sugere, permite criar duplicatas de si mesmo em combate. A quantidade, poder e duração dos duplos variam de acordo com o cultivo de cada um.
As três últimas transformações — “Transformação do Imortal Voador”, “Transformação da Nirvana” e “Transformação do Céu e Terra” — eram desconhecidas até mesmo pelo Ancião Zhao, que apenas anunciou os nomes antes de encerrar a demonstração.
Bai Fei, à medida que assistia, ficava cada vez mais estupefato — não pela complexidade ou poder da técnica, mas pelo fato de, após assistir à demonstração, sentir que da primeira à quinta transformação não havia dificuldade alguma; já na sexta, pressentia que poderia realizá-la, embora faltasse um gatilho para criar o duplo.
Não duvidava da autenticidade da técnica, mas a perplexidade o invadia: por que, entre tantos cultivadores superiores, justamente ele, o mais inexperiente, ultrapassava a todos nessa arte? Não conseguia compreender tal mistério.
Após longa deliberação, solicitou ao Ancião Zhao mais uma repetição. Quando este completou a quinta execução, o entusiasmo inicial da plateia deu lugar ao cansaço e à impaciência.
Ao término da quinta apresentação, Bai Fei preparava-se para falar, mas Yun Ling puxou levemente sua manga, trazendo-o de volta à realidade.
O Ancião Zhao, exausto após cinco exibições consecutivas, persistia apenas por respeito à ordem do jovem mestre. Bai Fei, notando os olhares incomuns dirigidos a si e vendo o ancião ofegante, percebeu que o havia impelido além dos limites. Apresou-se em dizer:
— Basta, Ancião Zhao, agradeço seu esforço.
O ancião, aliviado, retirou-se sem nada acrescentar, admirado com a expressão de Bai Fei, mas concluindo que tal prodígio era impossível — e nada mais disse.
A multidão dispersou-se pouco a pouco, pois a noite já caía. Bai Fei e Yun Ling despediram-se e partiram em busca do Velho Tianxuan.
Ao encontrarem o ancião, este não se alongou em palavras e levou Bai Fei até uma câmara de pedra extremamente oculta.
A sala era despojada, exceto por quinze botões circulares na parede frontal. Diante de cada botão, no chão, havia uma pequena formação mágica, que brilhava fracamente, girando lentamente.
— Fei’er, estes são quinze pequenos mundos diferentes, que preparei para ti, mas ainda não estão maduros — disse o Velho Tianxuan.
— Como? — Bai Fei não compreendeu.
— Esses mundos derivam daquele mundo especial que visitaste. Após tua travessia pelo túnel temporal, o mundo original sofreu uma cisão, fragmentando-se em quinze pequenos mundos, porém...
— Porém o quê?
— Fui imprudente e não previ que, naquele instante, forças externas aproveitariam para se infiltrar, visando a destruição do nosso clã.
— É tão grave assim?
— Se obtiverem êxito, não apenas será impossível recompor os pequenos mundos, como também não poderemos iniciar os próximos desafios, e tu não poderás nela realizar teu aprimoramento.
— Mestre, obrigado! — Bai Fei expressou sua gratidão.
— Ingênuo menino — disse o velho, com ternura.
— Mestre, quando poderei adentrar esses mundos?
— Não te apresses. Ainda estou aperfeiçoando as regras temporais deles. Além disso, devido à interferência externa, o crescimento desses mundos desacelerou. Planejava permitir-te a entrada antes do torneio, mas agora só será possível após seu término.
— Mestre, o que exatamente devo fazer nesses mundos? E sobre essas forças invasoras?
— Não te inquietes, explicarei. São dezoito invasores, que pretendiam penetrar juntos em um único mundo para destruí-lo. Basta que um mundo seja destruído para inviabilizar a recomposição do todo. Contudo, por razões que ignoro, no momento crítico seu poder se dispersou. Não sei em quais mundos estão, nem quantos, mas isso ao menos minimiza sua capacidade destrutiva. Assim, poderás derrotá-los com maior facilidade. Esses mundos foram criados especialmente para ti; tua travessia será como um ser independente, mas não posso prever eventuais mudanças. Os invasores geralmente possuirão personagens internos — se homens, mulheres, jovens ou velhos, não se pode saber.
— Inicialmente, planejei que o tempo em cada mundo fluísse a cinquenta anos por dia, ou seja, cinquenta anos internos equivaleriam a um dia aqui. Porém, ainda é uma estrutura primária: atualmente, o tempo corre a dez anos por dia, e pessoas, cenários e enredos estão em fase de formação. Além do treinamento, tua principal missão é derrotar os invasores ou encontrar e destruir o “Cristal das Trevas” de cada mundo. Uma vez destruído, os invasores desaparecerão e poderás regressar; o botão correspondente na parede se acenderá. Quando todos os quinze estiverem acesos, o mundo será recomposto, retornando àquela terra especial de outrora. Mesmo que tuas memórias não tenham sido restauradas, poderás buscar nelas o caminho para recuperá-las.
— Por ora, basta de explicações. O mais importante é preparares-te para o torneio. Em breve partireis para cultivar nas Montanhas das Mil Feras; aproveita esta oportunidade. Eu, por minha vez, preciso ir ao Palácio da Suprema Alegria tratar dos preparativos do torneio. Quando derrotares teu demônio interior, retornarei para elevar teu cultivo.
— Mestre, há algo que me intriga... — Bai Fei hesitou muito antes de expor suas dúvidas quanto às “Nove Transformações Celestiais”.
— O quê? Disseste... Fei’er, rápido, mostra-me!
Bai Fei, obedecendo, executou da primeira à sexta transformação. A cada movimento, o semblante do velho variava; ao término, sentia-se intrigado, mas também jubiloso e satisfeito.
— Que coisa extraordinária! As cinco primeiras transformações estão corretas, só lhes falta refinamento, mas com teu cultivo atual... Jamais vi algo assim! Não vamos nos deter nisso. Fei’er, parece que posso transmitir-te antecipadamente a fórmula mental das nove transformações. Com ela, tua técnica se completará. Quanto à sexta, não dominaste porque te falta o segredo; ensinarei agora...
Guiado pelo Velho Tianxuan, após cerca de duas horas, Bai Fei finalmente compreendeu tudo e conseguiu criar um duplo idêntico a si, que, antes de desaparecer, ainda lhe sorriu sutilmente. O entusiasmo diante de tal mistério só aumentou. Embora o duplo não possuísse força de combate e durasse apenas alguns segundos, o ancião exultava de felicidade, explicando que isso dependia do cultivo e que, com o tempo, o progresso seria natural.
— Fei’er, atualmente só alcancei a sétima transformação; observe atentamente...
Concentrando-se, o velho converteu-se em luzes que dançavam pelo ar, ora formando armas, ora figuras diversas, até condensarem-se e retomarem sua forma original. Bai Fei, boquiaberto, não conseguia dizer palavra.
— Fei’er, a “Transformação do Imortal Voador” funde a essência das seis primeiras. O número de pontos de luz depende do cultivo. Em situações de vida ou morte, se ativares esta técnica, enquanto restar um só ponto de luz, poderás recompor teu corpo. Embora tua força sofra grande dano, com tempo suficiente te recuperarás. É muito mais útil que tua imortalidade. Entendeste?
— Mestre, compreendi apenas um terço ou um quarto — respondeu envergonhado Bai Fei.
— Já é excelente. Basta que te recordes com o coração; quando possível, treina e aprofunda tua compreensão. Embora eu não saiba por que, sem o cultivo adequado, já consegues absorver essa técnica divina, o fato é inegável. O espírito marcial é mesmo grandioso, e teus dons, singulares. Agora, sinto-me plenamente confiante de que conquistarás o título no Grande Torneio. Os discípulos não terão como questionar tua liderança, e então poderei transmitir-te legitimamente o posto de Mestre do Clã. Ha! Ha! Ha!
— Mestre...
— Basta, Fei’er. Nestes dois dias, recolhe-te aqui em meditação. Ah, a regra temporal do teu Anel Celestial não mudou; salvo necessidade, não entres nele. Usa-o apenas como anel de armazenamento — recomendou por fim, antes de partir.
Bai Fei imediatamente recolheu o espírito, imerso em reflexões sobre a “Transformação do Imortal Voador”.
Na noite seguinte, o Velho Tianxuan trouxe-lhe uma porção de ervas raras e pílulas medicinais. Bai Fei, tocado pelo afeto do mestre, guardou-as com reverência. O ancião, sem mais recomendações, anunciou sua partida iminente para o Palácio da Suprema Alegria, e então partiu.