Capítulo Dois: Uma Letra de Diferença

Dimulai dari Acara Cinta Ai Zi Yan 2616kata 2026-03-12 14:33:01

No canto do sofá, a luz do sol que banhava Tang Zhichu já havia se dissipado. Ele sacudiu levemente a cabeça, obrigando-se a desprender-se daquele estado de alienação. O fato de atravessar o tempo e renascer já era, por si só, suficiente para deixar os nervos em tensão febril; agora, com a invasão de mais um emaranhado de memórias confusas, Tang Zhichu mal dispunha de sopro de energia para lidar com ocasiões como esta.

Limitava-se a escutar, gravando em silêncio as informações que lhe pareciam úteis.

O que surpreendeu Tang Zhichu foi perceber que outra convidada também se mantinha num silêncio sereno: Jiang Lan.

O silêncio dela não era aquele do desconhecimento ou da hesitação, mas sim um silêncio ponderado, de quem parece ter tudo sob o mais absoluto domínio.

Tang Zhichu não se dava ao trabalho de analisar com a complexidade de Zhou Yun; apenas intuía que aquele programa parecia, à primeira vista, menos simples do que se mostrava na superfície.

"Guinch!" A porta foi novamente empurrada.

Todos se ergueram para dar as boas-vindas. A última convidada havia chegado.

Blusa branca, cardigã bege, cabelos negros e leves, traços delicados e graciosos compunham um conjunto de beleza surpreendente e fria, de uma elegância rara.

Zhou Yun, uma vez mais, levou a mão à boca e murmurou: "Que linda!"

Yang Jiaxing foi o primeiro a se adiantar, apressando-se em tomar a mala das mãos dela.

"Obrigada."

Até sua voz era agradável aos ouvidos.

"Não precisa agradecer, estávamos apostando se a última convidada seria de cabelos longos ou curtos, mas não imaginávamos que seria tão bonita." Enquanto empurrava a bagagem para o canto da parede, Yang Jiaxing não poupava elogios.

O sorriso aflorou no rosto da jovem, um sorriso levemente embaraçado, como quem não está habituada a elogios tão diretos.

"Você é Chen Siyang, não é?" A voz de Huang Zejun soou de repente, o rosto tomado de júbilo.

A exclamação de surpresa de Zhou Yun não tardou: "Eu... eu sabia, parecia tão familiar!"

Yang Jiaxing estacou, voltando-se apressado para a recém-chegada, e, a olhos vistos, seus olhos se iluminaram.

Chen Siyang, ex-integrante do grupo feminino Xingxing, era o rosto mais belo do grupo, uma celebridade de notável formosura.

Tang Zhichu, por sua vez, desviou o olhar de Chen Siyang. Uma estrela participando de um programa de relacionamentos?

Com todos reunidos, dispuseram-se em círculo para se apresentarem com mais detalhes, mencionando, por exemplo, suas profissões.

Tang Zhichu mantinha-se lacônico, memorizando silenciosamente as informações relevantes.

Zhou Yun era o mais comunicativo, dono de uma academia de ginástica.

Jiang Lan, reservada, possuía uma pequena empresa alimentícia.

Yang Jiaxing, apesar da juventude, era já responsável por uma instituição financeira, pertencente à família.

Huang Zejun, além de fotógrafo, era proprietário de uma pequena companhia de mídia, voltada para o segmento digital.

Quanto a Chen Siyang, dispensava apresentações — todos sabiam que era uma artista, uma celebridade.

Mesmo preparado, Tang Zhichu não deixou de se espantar. Aquilo mais parecia um encontro de nobres do que um simples programa de relacionamentos.

Quando chegou sua vez de se apresentar, houve um breve silêncio, pois seu percurso era simples, quase banal.

Após concluir a universidade, assumira das mãos do pai um pequeno restaurante de culinária sichuanesa — era, de certo modo, um pequeno empresário.

A apresentação de Tang Zhichu fez muitos compreenderem, de súbito, a razão de sua reserva; talvez fosse timidez, pensaram.

Zhou Yun, com um sorriso, quebrou o gelo: "Então sua comida deve ser deliciosa!", desviando o tema da profissão para protelar o jantar.

Pelo menos, em termos de convivência, todos pareciam saber portar-se com tato.

Tang Zhichu, porém, alegou dor de cabeça e subiu ao quarto, dizendo que não precisavam esperá-lo para o jantar.

Assim transcorreu o primeiro dia de Tang Zhichu no programa de relacionamentos. Sua mente era um turbilhão, necessitava de silêncio, de descanso.

Tang Zhichu sonhou. Embora ainda se chamasse Tang Zhichu, havia-se tornado outro homem.

No ensino médio, devido ao those do pai com o álcool, a mãe, incapaz de suportar aquela existência, optou pelo sinistro caminho do divórcio.

Após a separação, o pai trocou a barraca do mercado noturno por um restaurante tradicional de pratos quentes — desejo antigo da mãe, tarde demais realizado.

Por ser um rapaz de aparência distinta, Tang Zhichu sempre esteve cercado de belas colegas, tanto no secundário quanto na universidade.

Mas um estudante que, todos os dias, precisava ajudar no restaurante do pai não tinha coragem de se enredar com aquelas jovens deslumbrantes.

Seu cotidiano era feito de hair, arroz e óleo; aos poucos, tornou-se um recluso convicto.

Mas também tinha seus dotes: cantar era sua paixão desde a infância.

Para um filho de família pobre, cantar não passava de um hobby. Jamais ousou mencionar ao pai que desejava seguir carreira artística, pois sabia que seria inútil.

Por sorte, a internet florescia; um aplicativo de vídeos curtos chamado DY ganhou popularidade.

Tang Zhichu tornou-se cantor de pedidos na plataforma — em suma, alguém pagava para ouvi-lo cantar, e, se gostasse, dava-lhe gorjetas extras.

Era quase como cantar em bar, mas Tang Zhichu não se adaptava ao ambiente multicolorido dos bares; preferia o mundo virtual.

Ao se formar, planejava alugar um apartamento com bom isolamento acústico e dedicar-se ao cardião, mas o pai adoeceu — anos de alcoolismo cobraram seu preço: câncer no pâncreas.

O tratamento exigia dinheiro. Com a ajuda de um amigo, Tang Zhichu inscreveu-se em uma competição de canto promovida pela DY, com prêmio de duzentos mil yuans.

Jamais imaginara que venceria todas as etapas e conquistaria o troféu.

Além do prêmio, ganhou a chance de participar de um programa de variedades.

Tang Zhichu, crente de que se tratava de um programa musical, aceitou sem hesitar — afinal, viver de cantar sempre fora seu sonho.

No entanto, era um programa de relacionamentos.

Uma simples palavra, um abismo de diferença.

Pensou em recusar, mas já havia dado sua palavra. Além disso, o pai, em tratamento no hospital, soube do convite e, de modo algum, permitiu que desistisse.

O velho Tang considerava que o filho, recluso há anos, precisava dessa oportunidade. Não esperava que encontrasse uma parceira, mas desejava apenas que seu temperamento mudasse um pouco.

Para os mais velhos, viver recluso em casa era prova de fracasso.

O programa tinha uma regra: para que todos se adaptassem às filmagens, câmeras eram instaladas em casa um mês antes.

Tang Zhichu, já um recluso, e ainda cuidando do pai doente, sentia-se exaurido após um dia de trabalho; enfrentar tantas câmeras ao voltar para casa esgotava-lhe a sensação de segurança, trazendo insônia constante.

Ao final do mês, estava consumido, até que, no primeiro dia de gravação do programa, adormeceu e jamais despertou.

...

"Toc, toc, toc..."

O ruído à porta despertou Tang Zhichu. Ele ergueu-se de súbito, a testa coberta de suor, mas sentia-se singularmente melhor, como se o sono houvesse arrumado as memórias dispersas de sua mente.

"Já vou, já vou!" Tang Zhichu saltou da cama, lavou o rosto no banheiro e apressou-se a abrir a porta.

Do outro lado estava Zhou Yun.

"Está tudo bem?" A voz dele trazia traços de preocupação.

Tang Zhichu balançou a cabeça: "Acho que é o frio repentino da primavera. Estava com dor de cabeça, mas já tomei remédio. Antes não estava bem, desculpe."

"Não tem problema, não! O restaurante guardou jantar para você."

Zhou Yun não se deteve; após dizer isso, virou-se para descer, mas, após dois passos, voltou-se: "Ah, está quase dando onze horas."

"Está bem, obrigado."

"De nada, hehe."

Observando a silhueta de Zhou Yun a descer as escadas, Tang Zhichu hesitou por alguns segundos, sentindo-se um tanto deslocado diante daquele calor humano.