Capítulo Um Esta mulher artista, melhor seria não o ser!
CAPÍTULO UM
Essa vida de artista, não vale a pena!
— Bai Ling, não abuse da sorte!
— Os termos do Sr. Wang já são mais do que generosos. Você não tem origem, nem influência. Acha mesmo que só com esforço vai se destacar neste círculo?
— Já faz três anos que estreou, e ainda é uma desconhecida. Não percebe as regras deste meio?
— Com esse corpo e esse rosto, e nem sequer um plano? Que estupidez é essa?
— Mais tarde venho te buscar! Prepare-se, limpe-se bem!
— Só quando o Sr. Wang estiver satisfeito, você poderá estar também!
— Se estragar tudo, prepare-se para sair do meio!
Uma voz estridente ecoou naquele instante.
Quem falava era um sujeito de aparência extravagante, magro como um cão.
Embora seus traços masculinos fossem evidentes, o tom e a postura evocavam irresistivelmente a imagem de uma madame de bordel.
Bai Ling franziu a testa, o olhar perdido, confusa.
Mas era claro: ela absorvia as memórias que lhe fervilhavam na mente.
Ao compreender a situação, a primeira frase que lhe veio à cabeça foi:
Acabou, perdi meu pau!
Sim, Bai Ling não se chamava assim.
Seu nome era Bai Lin, e era um viajante entre mundos.
Um homem de fibra e coragem! Espada em punho, cavalgava pelo mundo!
E este universo em que agora se encontrava, não era um simples espaço paralelo.
De fato, na véspera, um colega recomendara-lhe um romance chamado “Jin Xiu”.
Como o nome da vilã feminina soava igual ao seu, Bai Lin decidiu ler um pouco.
Não imaginava que, ao adormecer sobre a leitura, atravessaria para dentro da história.
E assim ganhara uma nova identidade — Bai Ling, uma das antagonistas do livro.
Diga-se, Bai Ling era puro azar e desventura.
Embora vilã, sua trajetória era de lamentos sem fim.
A protagonista, por outro lado, desfrutava dos prazeres do mundo artístico, conquistando simpatia e recursos apenas por representar a inocente.
Era a própria definição de “ganhar dinheiro brincando”.
Cercada por quatro ou cinco homens, todos enlouquecidos de paixão.
Quando leu isso, Bai Lin exclamou: “Que romance mais Mary Sue!”
Já Bai Ling era diferente!
No enredo, ela era dedicada e trabalhadora, mas sem conexões, apenas uma beleza quase perfeita.
Recusando atalhos, só lhe restava redobrar os esforços.
Então, o mundo lhe mostrou o que significa: quanto mais se empenha, mais trágico se torna.
A família de origem a atrasava, pais vampiros lhe impunham uma pressão psicológica brutal, o único irmão era um inútil.
Em suma, uma armadilha sem fim.
Fracassos na vida e na carreira levaram Bai Ling a finalmente se entregar.
Sim, entregar-se ao lado dos poderosos.
Mas, para seu espanto, os tais poderosos eram igualmente cruéis.
Levantavam as calças e partiam, sem deixar benefício algum.
Assim, Bai Ling, a vilã, tornou-se sombria.
Mas, mesmo essa pobre bela não resistiu ao discurso de justiça da protagonista ingênua.
Acabou seus dias na prisão, deixando apenas a máxima: “Há sempre algo digno de pena em quem odiamos”.
Ao ler esses eventos, Bai Lin sentiu um certo pesar.
Mas não deu muita importância.
Afinal, os nomes eram apenas semelhantes.
Agora, Bai Lin não podia mais manter-se indiferente.
Ele teria de assumir a vida dessa mulher desafortunada.
— Céus, mudar meu sexo já seria demais; agora me dão um modo infernal?
— Que vontade de te cortar ao meio!
Dentro de Bai Lin/Bai Ling, a revolta rugia.
Mas, sem dúvidas, qualquer que fosse sua luta, já não era Bai Lin, e sim Bai Ling.
— Estou falando com você, ouviu?
— Ficou surda?
O cão magricela, com jeito de madame, não gostou nada da distração de Bai Ling, e avançou para empurrá-la, tentando repreendê-la.
Diante dos outros, Bai Ling era uma artista.
Mas para o capital, para esses agentes,
Se não cresce, se não é famosa, é mercadoria.
Nem vale ser tratada como gente.
Por quê? Precisa perguntar?
Qual dessas artistas não busca a fama?
Qual não tem grandes “ambições”?
Esta sociedade sempre ensina: para ser alguém, é preciso sofrer.
Então, que mal há em suportar algumas humilhações?
Mas, diante dele, não era a antiga Bai Ling.
No instante em que foi empurrada, Bai Ling reagiu por instinto, levantando a mão.
Ela jurava: foi só uma resposta automática.
Mas o agente cambaleou, olhos incrédulos, e caiu de traseiro no chão.
Por um momento, Bai Ling quase podia ouvir o impacto de sua espinha contra o solo, um som que apertava o coração.
— Au!
Ele soltou um grito de dor.
Bai Ling levou um susto.
— Por que está latindo feito um cão?
Ela revirou os olhos, sem paciência.
Esse agente, ela se lembrava.
Chamava-se Zhou Tai.
Era um figurante, um sujeito de má índole.
Chamava-se de agente, mas na verdade não tinha competência alguma; seu papel era persuadir as belas moças a servir os grandes chefes da empresa.
Por isso, Bai Ling não sentia qualquer simpatia, até desejava pisar mais em cima dele.
Naquele momento, Zhou Tai pulava de raiva.
— O que disse?
— Está se rebelando?
— Meu Deus!
— Você ousa me empurrar! Ousa mesmo me empurrar!
Bai Ling quase revirou os olhos até o céu.
— Pare de lamuriar como uma velha, não foi você quem me empurrou primeiro?
— Ser empurrado por uma mulher? Que vergonha, magricela!
Zhou Tai ficou furioso — nada lhe ofendia mais do que ser chamado de magricela.
— Hoje eu te arrebento!
Levantando-se do chão, lançou-se sobre ela.
— Ora! Você quer mesmo briga?
Bai Ling respondeu com dois estrondosos tapas.
Agora, com o corpo de mulher, sentiu a mão arder após os golpes.
Mas a adrenalina pulsava, excitante.
Este canalha acabara de mandá-la “limpar-se” para servir o Sr. Wang!
Descaramento!
— Para aprender a respeitar!
— Para aprender a não bater nos outros!
— Vai se danar!
Os tapas deixaram Zhou Tai atordoado.
Os últimos não acertaram o rosto, mas o fizeram gritar e fugir, cobrindo a cabeça, feito rato.
— Está rebelde, rebelde!
— Espere, vai ver só!
— Vai se arrepender!
Bai Ling sacudiu a mão, sentindo o formigamento, e falou grosseiramente:
— Quem devia se arrepender é você!
Bang!
Zhou Tai nem ouviu, já escapara, voando porta afora.
Bai Ling também pegou sua bolsa e preparou-se para sair.
Depois de bater no próprio agente, seria impossível permanecer naquela empresa — e quem sabe que outras humilhações lhe aguardavam?
Quanto a ser artista… Hmph! Não vale a pena!
Com um sorriso de dragão nos lábios, Bai Ling estendeu suas longas e alvas pernas e saiu, decidida.