Capítulo Um Qianxu! Eu ordeno que me solte!
Cidade A, em uma suíte luxuosa de um renomado hotel situado no coração do centro, onde cada centímetro de terra vale ouro.
Sobre a imensa cama king size Simmons, um homem finalmente desperta.
A posição em que se encontra, com as mãos firmemente amarradas à cabeceira por grossas cordas, não é das mais confortáveis. Assim que abre os olhos, percebe imediatamente o quão estranha é sua situação. Em seguida, lança um olhar atento ao redor: vê que a única janela do quarto foi coberta, sem brechas, por pesadas cortinas blackout.
Foi amarrado?!
Tenta se desvencilhar por duas vezes, usando toda a força. Para sua surpresa, há neste mundo um método capaz de prendê-lo assim—sorri, um riso gélido. E, nesse exato momento, uma sensação estranha começa a emergir em seu corpo...
A porta do quarto se abre e fecha suavemente. Na penumbra, uma jovem aproxima-se devagar.
— Qian Xu! — o homem pronuncia o nome entre dentes cerrados, quase num sussurro raivoso.
Ao mesmo tempo, ao vislumbrar o corpo delicadamente curvilíneo da jovem, a sensação que ascende em seu íntimo o faz enfim perceber—
Ela o drogou com aquele tipo de substância!
— Tripla dose, e ainda assim você já acordou? — a voz da garota é límpida, inocente, quase pueril, e soa agradavelmente aos ouvidos.
No entanto, para o homem, soa como uma brisa gelada, fazendo-o estremecer involuntariamente.
— Qian Xu! Vejo que sua coragem cresceu! Solte-me agora! — sua voz, controlada, ressoa surpreendentemente clara e fria.
Qian Xu acende uma luminária sobre a cabeceira. A luz tênue e dourada envolve o espaço, tingindo-o de uma atmosfera ambígua.
Assim que a vê claramente, o olhar do homem aprofunda-se, instintivamente—quase um reflexo.
Maldita mulher! Ela ousou vestir uma camisola preta, justa, de rede! E sob os finos fios do tecido... nada. Absolutamente nada.
— Qian! Xu! — o homem, tomado de ira, grita, mas sua voz já ressoa rouca.
Qian Xu ignora sua fúria. Seus olhos percorrem o corpo dele, impecavelmente vestido com um terno, e descem, lenta e audaciosamente...
Onde quer que o olhar de Qian Xu pousasse, o corpo do homem reagia. Por um instante, desejou poder afundar a cabeça no chão e pôr fim à própria existência.
Ela desvia o olhar, mas utiliza sua arma mais letal—seu olhar penetrante—cravando-o nele. Em seguida, tal qual uma felina, sobe na cama.
— Qian Xu! Vou dizer pela última vez: solte-me! Ainda está a tempo de se arrepender! — ele força-se a manter a calma, a voz grave e baixa.
— Não me arrependo! Hmm... o que faço? Também estou tão quente... — a voz dela embaça, tornando-se indistinta, enquanto aproxima o rosto de sua mão, permitindo que ele sinta o calor de sua pele.
— Maldição! — pragueja baixo. Só agora se recorda: para convencê-lo, Qian Xu bebera primeiro aquela taça de vinho!
Qian Xu começa a soltar-lhe a gravata, roçando-se inteira contra ele.
— Qian Xu! Pense bem no que está fazendo! — diz, exaurindo todos os argumentos que conhece. Sente que, em toda a sua vida, jamais falou tanto quanto hoje. No entanto, nada disso consegue demover aquela mulher! Aquela tola! Ela não o amava?
— Eu sei, hoje você não escapará. Você disse: se eu lhe desse isso, você o deixaria ir! Você prometeu! — diz ela.
— Seja boazinha! Não precisa me dar nada, eu o deixarei ir! — Ao pensar naquele “ele”, o turbilhão de sentimentos do homem é indescritível.
Ela está fazendo isso... por outro homem...
Ao perceber isso, o ressentimento supera o desejo. Mais uma vez, tenta acalmar-se—e acalmar aquela mulher também!
Mas, ao vê-la enfiar a mão sob sua camisa, sua racionalidade beira o colapso.
Agora, sente-se inflamado, como se todo o corpo ardesse em chamas. Pela primeira vez na vida, experimenta o fogo devorador do desejo.
— Não acredito! — sussurra ela.
— Gong Zhuoxi... não é só por ele, é pelo meu pai e minha mãe também. Gong Zhuoxi, você vai salvá-los, não vai? Você vai cumprir sua palavra, não vai? — Assim que termina, Qian Xu arranca-lhe o cinto de um só golpe.
Gong Zhuoxi não entende como Qian Xu consegue ser tão contraditória e, ainda assim, tão determinada.
— Gong Zhuoxi! Você não pode fugir, se hoje nada acontecer, ambos estaremos em apuros — diz ela, seu corpo ardente colando-se ao dele, os lábios tocando os dele.
O quê?!
Que droga ela tomou? O que exatamente foi?
Gong Zhuoxi sente-se dolorido com a inexperiência dos beijos dela... Vira o rosto com força para evitá-la, mas Qian Xu, teimosa, força-o de volta, insistindo no beijo.
Uma sensação de humilhação o invade. Observa a mulher sobre si, com movimentos hesitantes, e o fogo em seus olhos quase a consome.
Muito bem! Muito bem! Qian Xu!
Gong Zhuoxi encara o rosto embriagado dela, tomado de uma fúria extrema:
Já que você deseja se perder... então, eu me perderei contigo!
Fecha os olhos por um momento, e quando os abre novamente, o ardor em seu olhar parece capaz de incinerar tudo ao redor.
— Qian Xu, solte-me agora! — diz, palavra por palavra, em tom grave.
A mão dela já tateia a fonte do calor. Com um simples toque, Gong Zhuoxi prende a respiração.
— Depressa! — ordena ele.
— Mas como faço isso? — Qian Xu não o ouve; ao invés disso, continua a mexer desajeitadamente, sem encontrar o jeito certo.
Gong Zhuoxi finalmente perde o controle e, pela primeira vez na vida, ruge:
— Qian Xu! Eu ordeno que me solte!
Talvez nunca tenha sido repreendida assim, pois Qian Xu se assusta. Levanta o rosto, o olhar perdido e magoado, até que, por fim, acena com a cabeça, atônita:
— Tá...
Mas logo percebe que esqueceu como soltar o nó da corda.
— Como se desfaz isso? Eu não sei! — Sua voz embarga, quase chorosa. Esforça-se por um bom tempo, mas a corda permanece imóvel.
Nesse momento, está sentada sobre o peito de Gong Zhuoxi.
Ele finalmente compreende o que significa o sangue correr ao contrário. Inspira fundo e sente que a corda em seus pulsos afrouxa. No instante seguinte: rasga!
Qian Xu olha para ele, incrédula. Ele havia rompido a corda com as próprias mãos!
Sem tempo para pensar nos pulsos sangrando, Gong Zhuoxi, agora senhor da situação, lança-se sobre Qian Xu...
...
Já que você quis me provocar, então, de hoje em diante, jamais a deixarei ir!
Qian Xu, não ouse tentar me abandonar novamente!
...
A tempestade furiosa na suíte presidencial, muito, muito tempo depois, enfim, cede à calmaria.
...
Gong Zhuoxi se pergunta, não pela primeira vez: ao longo de seus vinte e cinco anos de vida, tendo conhecido tantos tipos de mulheres—sedutoras, puras, etéreas—por que, então, foi cair nas mãos de Qian Xu, enredando-se nesse jogo de amor e ódio?
Não, não, entre eles não há amor e ódio, pois sempre foi um amor não correspondido de sua parte.
Ah, que palavra dolorosa...
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