Capítulo Três: O Tio Sórdido 【Novo livro — Peço recomendações e que adicionem aos favoritos】
Onde encontrar bons jogadores? Nordeste, Shandong, Qinhuangdao—Qinhuangdao, para rimar, claro, também é lar da lendária Escola de Futebol da China!
O alvo de Sun Yao era precisamente a cidade mais famosa do futebol chinês: Dalian. Como o maior celeiro de talentos do nordeste, atrai naturalmente o olhar atento de Sun Yao.
Na estação de trem da cidade, abarrotada de gente, Sun Yao começou a se alinhar, pronto para comprar sua passagem.
“Ei, rapaz!” Prestes a entrar na fila, Sun Yao ouviu alguém chamá-lo.
Ele girou o pescoço e viu um tio de aspecto esquivo, que o acenava enquanto esperava na fila.
“Ah? Tio! Está falando comigo?” Sun Yao se aproximou, indagando.
“Claro! Você não se lembra de mim? Da última vez, perdi meu celular, foi você quem o encontrou!” O tio insistiu.
“Ah! Era você, tio!” Sun Yao recordou-se subitamente: cerca de meio ano atrás, encontrara um celular pirata, enorme como um tijolo, e devolvera ao dono. Não imaginava que aquele homem ainda se lembrasse dele após tanto tempo. Seria por boa memória, ou por ser ele tão marcante, tão belo, impossível de esquecer? Sun Yao fantasiou.
“Rapaz, da última vez nem tive tempo de agradecer! Para onde está indo?” O tio prosseguiu.
“Ah, vou para Dalian, vim comprar a passagem, entende?” Sun Yao respondeu, distraído, pois sua mente estava ocupada com a fila e não tinha ânimo para conversar com aquele tio excêntrico, vestido à moda “indigente”.
“Coincidência! Você também vai para Xi’an?” O tio exclamou, animado.
“Ah? Vamos juntos?” Sun Yao não ouvira bem que o tio falava de Xi’an.
“Temos que ser rápidos! Fique ao meu lado, quando chegar minha vez, compro sua passagem também. Está prestes a partir um trem para Xi’an, se perder, só amanhã!” O tio continuou.
“Ah, está bem!” Sun Yao reagiu, percebendo que era uma oportunidade de furar a fila, alguém comprando a passagem para ele. Por que não aproveitar?
Ingenuamente, Sun Yao não percebeu que o tio falava de Xi’an, e não de Dalian—duas cidades cujos nomes sequer se assemelham!
Com a passagem em mãos, antes mesmo de Sun Yao examinar o bilhete, o tio agarrou-lhe a mão: “Rapaz, vamos logo! O trem está chegando!”
“Ah, é mesmo! Vamos depressa!” Sun Yao guardou o bilhete e seguiu o tio, embora instintivamente já tivesse retirado a mão. Não tinha esse hábito, ainda mais com alguém tão peculiar.
Ambos caminharam rápidos e chegaram a tempo para aquele trem, sentando-se com tranquilidade.
A conversa entre eles fluía, ora pausada, ora animada.
“Prezados passageiros, sejam bem-vindos ao trem rápido K250, partida em Qingdao, destino final Xi’an, próxima parada: Jinan!”
“Xi...an?” Sun Yao, antes feliz por ter pegado o trem, sentiu um súbito estranhamento.
“O trem de Qingdao para Xi’an passa por Dalian?” Sun Yao perguntou ao tio.
“Rapaz, você gosta de brincar! Xi’an fica a oeste, Dalian é nordeste, como é que esse trem iria para Dalian!” O tio sorriu com um sotaque forte, quase afável.
“Ah, é verdade. Sorte que nunca prestei vestibular, senão seria reprovado em geografia. Mas, tio, como você vai para Dalian?” Sun Yao ainda não compreendia a situação.
“Para Dalian? Eu vou mesmo é para Xi’an, visitar família! E você, rapaz, o que vai fazer em Xi’an?” O tio manteve o sorriso largo.
“Tio, você está brincando, não está? Eu queria ir para Dalian, por que comprou passagem para Xi’an?”
“Ah, você queria ir para Dalian! Devia ter dito antes, este trem vai para Xi’an!” O tio ria, sem se abalar.
Sun Yao respirou fundo, engolindo em seco: “Eu não disse antes? Claro que disse Dalian! Estou perdido, agora vou para Xi’an!”
Com o rosto abatido, Sun Yao lamentou: “Não tenho experiência, sou ingênuo, mal saio de casa e já sou enganado! Que tragédia!”
“Rapaz, por que suspira? Se queria ir para Dalian, é só descer na próxima estação e pegar outro trem!” O tio confortou, com aquele sotaque peculiar.
“Então devolva o dinheiro da passagem!” Sun Yao estendeu a mão.
“Ah, rapaz, não me complique! Sou um trabalhador, não tenho dinheiro sobrando. Vejo que está viajando, Xi’an é ótimo! Tem os Guerreiros de Terracota, melhor que Dalian!” O tio, ao ouvir sobre dinheiro, tentou persuadir Sun Yao a ir para Xi’an.
“Não estou viajando, estou perseguindo um sonho! Quero ser o maior jogador do mundo!” Sun Yao batia no peito, desesperado.
“Entendi. Quer jogar bola! Em Xi’an conheço gente, o time de Shaanxi é forte na Superliga, apelidado de ‘Lobos do Noroeste’!” O tio parecia animado.
“Tio, você também acompanha futebol? Shaanxi tem time?” Sun Yao perguntou.
“Você não acompanha nada! Este ano Shaanxi está excelente, está à frente de Dalian na liga!” O tio explicou. [Nota: O ano é 2009, primavera.]
“Mas Dalian não era muito forte?” Sun Yao indagou.
“Dalian foi forte, mas agora não. Ainda bem que não foi para lá, comprei a passagem certa!” O tio se vangloriou.
“Uau, tio entende mesmo de futebol!” Sun Yao admirou.
“Mais ou menos, você nem sabe como está o futebol nacional e sai correndo por aí! Agora, siga meus passos, eu te mostro o caminho para a glória!” O tio declarou.
“Ah, está bem! Só acompanho futebol europeu, pouco me interessa o nacional!” Sun Yao sorriu.
“Vocês, jovens, só valorizam o estrangeiro! Futebol de fora não tem o sabor do nosso, por pior que seja, é nosso. O nível deles pode ser alto, mas não tem nada a ver conosco!” O tio aconselhou, com seu sotaque carregado.
“Tio, falou bonito! Concordo plenamente!” Sun Yao sorriu, mas em seu íntimo desprezava o tio. Para ele, o futebol nacional era só um trampolim; treinaria em casa, mas seu destino era o exterior. Não se preocuparia tanto com o local, preferia focar nas ligas europeias. Esperaria tornar-se astro, conduzir a seleção chinesa à Copa do Mundo, erguer a taça!
Imaginava, sem saber como aquele pequeno gênio alienígena o ajudaria nos treinos, quão milagrosa seria a tecnologia extraterrestre?
Já pensava em qual clube de elite jogaria, qual número vestiria: 9? Perfeito! 10? Também ótimo! 7? Elegante!
E a braçadeira de capitão?
A Premier League estava forte, três ingleses entre os quatro semifinalistas da Champions por dois anos seguidos—seria o destino? E o imposto na Inglaterra? Como estrela, pagaria muito imposto?
Sun Yao já se perdia em devaneios, sem perceber que para realizar tudo aquilo seria preciso esforço próprio; não bastava ter um assistente alienígena para que tudo acontecesse como queria!
Ao longo da viagem, Sun Yao e o tio discutiram em profundidade o cenário internacional do futebol, analisando os caminhos para o desenvolvimento do futebol chinês. O papo evoluiu para a influência do sistema de remuneração social sobre o futebol nacional; para a relação entre as tendências econômicas globais e o futebol internacional; para a contribuição das tecnologias mais avançadas ao esporte.
Falavam de tudo, atraindo olhares curiosos: alguns viam dois lunáticos, outros mostravam compaixão, havia quem suspirasse, e também quem admirasse Sun Yao e o tio.
Alguns desconhecidos se juntaram à conversa, e Sun Yao percebeu que havia base futebolística na China—muitos sabiam discutir o esporte. Mas o mais comum era falar de assuntos militares, grandes questões mundiais, sobre porta-aviões obsoletos e afins; eram trabalhadores de construção civil, mas acompanhavam os grandes eventos com paixão.
Afinal, ninguém podia deter seu fervor patriótico.
Sun Yao soube que o tio se chamava Zheng Lao Er, originário de Anhui, hoje migrante de cidade em cidade, buscando sustento.
Sun Yao compreendeu, enfim, que cedo ou tarde seria também tema dessas conversas.
Seria herói! O salvador dos campos!
“O futuro luminoso me espera! Me espera!” Sun Yao, deitado sobre a mesa do trem, dormia profundamente, murmurando sonhos confusos.
“Ei, rapaz! Acorde, chegamos! Não dorme, levante-se, está passando do ponto!”
“Ah? O que disse?” Ye Xuan abriu os olhos.
“Nada, nada! Chegamos! Vamos descer!” O tio Zheng Lao Er respondeu, indistinto.