Capítulo Um: O Jovem Senhor da Cidade
CAPÍTULO UM
O Jovem Senhor da Cidade
No sudeste da vasta região de Ziling, encontra-se o pequeno império de Tianqiong, onde cinco cidades florescem em esplendor — ao menos, assim parecem aos olhos de Tianqiong. Entre elas, destaca-se a cidade de Feng.
A noite repousa silenciosa, e os homens já se entregaram ao sono; todas as criaturas mergulham na letargia das trevas.
Neste momento, no solar do Senhor da Cidade de Feng...
“Amanhã é o teste mensal do clã; esta noite preciso, a todo custo, condensar a energia espiritual.” Um jovem de quinze ou dezesseis anos está sentado em meditação no pátio. Após alguns instantes, entrega-se plenamente ao silêncio. Em seguida, nota-se que ao seu redor a energia espiritual se adensa, girando incessantemente ao seu redor.
De repente, essa energia, como se atraída por uma força irresistível, lança-se velozmente para dentro do corpo do jovem, penetrando por seus trinta e seis milhões de poros! Qualquer cultivador, ao testemunhar tal cena, sentiria inveja profunda.
A energia espiritual do céu e da terra gira sem cessar, jorrando rapidamente para dentro de Ye Li, mas este não se mostra alegre com tal feito.
O verdadeiro desafio finalmente se apresenta. A energia, ao penetrar o corpo de Ye Li, converge rapidamente para seu dantian, e em poucos instantes, acumula-se ali em quantidade considerável. Ao perceber o aumento da energia em seu dantian, o jovem exibe no rosto uma expressão grave.
“Condense-se para mim!” murmura ele, ajustando a energia já densa do dantian para pressionar e condensar a recém-chegada.
Os novos influxos de energia parecem prestes a ser comprimidos e transformados em uma névoa espessa, mas, naquele instante, rebelam-se como cavalos selvagens, cheios de vigor, dispersando-se por todos os lados. A energia original não consegue impedir o ímpeto das recém-chegadas, que acabam por escapar do dantian de Ye Li, saindo por seus poros e dissipando-se no exterior.
“Ah... sempre o mesmo de sempre?” Ye Li suspira, resignado. Este resultado, aliás, já era esperado por ele; há dez anos, seu dantian só consegue reter energia espiritual de segundo grau, e qualquer excesso simplesmente se dissipa.
Desde os cinco anos, Ye Li iniciou o cultivo, mas em dez anos, seu poder espiritual permanece estagnado no segundo grau, sem jamais avançar. Quando começou, era tido como prodígio — em menos de um ano elevou-se ao segundo grau. Mas seu pesadelo começou ao atingir esse patamar: dali em diante, toda energia absorvida se recusava a condensar, dispersando-se assim que tentava integrá-la ao dantian.
O jovem ergue-se, resignado, e retorna ao quarto para descansar.
“Senhor, está na hora de levantar.” Com a aurora, um velho de semblante afável chama à porta de Ye Li.
“Ah, já ouvi.” Daí a pouco, Ye Li surge, vestido com esmero.
“Vovô Xu, há assuntos de Estado hoje?” pergunta o jovem.
“Não, senhor.” O velho responde.
“Ótimo, então vamos ao clã; hoje é o teste mensal.” Ye Li acena afirmativo.
“Senhor, não seria melhor abstermos-nos?” indaga o velho.
“Não, esta é a tradição do clã; não devemos quebrá-la.” Ye Li declara com firmeza.
“Mas...” O velho mal começa a argumentar, e Ye Li, gesticulando, interrompe-o, saindo logo em seguida.
A família Ye, em Feng, é uma das quatro grandes do Império Tianqiong. Conta com um guardião de nível Zongjie, e, em todo o império, não haverá mais de dez desses! Mais ainda, há cinco anos, a família Ye teve um prodígio incomparável: aos trinta e cinco anos, alcançou o nono grau Zongjie, tornando-se o mais destacado personagem de Tianqiong. Seu nome era Ye Wuyou. Mas, lamentavelmente, há cinco anos, foi morto por misteriosos poderosos. Ele era o pai de Ye Li! A mãe do jovem, por sua vez, faleceu pouco tempo após o nascimento dele.
No vasto campo de treinamento da família Ye, “Ye Nantian, poder espiritual de sétimo grau!” anuncia em voz alta um ancião.
Logo, vê-se um jovem de traços belos descer, orgulhoso, ao lado do imponente monólito; olhares de inveja são lançados por todos ao seu redor.
“O próximo, Ye Suyan!” chama o ancião.
Então, uma moça de beleza delicada avança com leveza até o monólito. Ela ajeita seus três mil fios de cabelo, caindo até a cintura, estende a mão esguia e pousa-a sobre a pedra.
Uma onda de energia espiritual percorre sua mão, e logo o monólito brilha intensamente. Ao cessar o fulgor, surge nele a inscrição “Oitavo Grau”, causando enorme alvoroço entre os presentes, que lançam à jovem olhares de admiração.
“Ye Suyan, poder espiritual de oitavo grau!” O ancião, que conduz o teste, também lhe dedica um olhar elogioso.
“O próximo, Ye Li!” anuncia.
“Finalmente chegou minha vez...” murmura Ye Li, com amargura e autoironia.
Sob os olhares de todos, Ye Li aproxima-se do monólito; toca-o, e faz circular a energia espiritual em sua mão. Após longo tempo, surge a inscrição “Segundo Grau”.
No instante, ressoam murmúrios de surpresa e desdém.
“Olhem, ali está o mais jovem senhor da cidade de Tianqiong, filho do maior gênio Ye Wuyou, e, após cinco anos, ainda só possui poder espiritual de segundo grau...” Alguém comenta.
Ye Li, sob olhares de desprezo e escárnio, abandona solitário o campo de treinamento.
O mais jovem senhor da cidade, o mais jovem marquês, o filho do maior prodígio, e, ao mesmo tempo, o mais inútil discípulo da família Ye. Este é Ye Li.
“Senhor.” O velho aguarda Ye Li à saída do campo.
“Vovô Xu, vá à frente, quero caminhar sozinho um pouco.” Ye Li acena ao mordomo.
“Então, tenha cuidado, senhor.” O mordomo adverte.
Ye Li acena e afasta-se.
Arrastando sua sombra solitária, Ye Li deixa a casa dos Ye e vagueia sem rumo pela cidade de Feng.
Muito tempo depois, alcança um bosque denso, senta-se sobre uma pedra imensa, com a mente perturbada, incapaz de ordenar os pensamentos. O tempo escorre sem que perceba, e logo a noite desce.
Os corvos no bosque começam a grasnar, o vento da noite roça suavemente as árvores, e as folhas, ao se chocarem, ressoam.
Em certo momento, Ye Li desperta de sua confusão, mas não consegue mais lembrar o caminho. Sem alternativa, começa a andar ao acaso.
Não tarda, ouve o som cristalino de águas correntes. Dirige-se ao local de onde vem o murmúrio, e logo depara com um pequeno lago límpido, onde um riacho se lança. A lua prateada banha o lago tranquilo, e o vento da noite faz ondular sua superfície em vagas de prata.
Ye Li aproxima-se do lago, toma nas mãos água fresca e bebe, lavando em seguida o rosto. Sente-se revigorado.
À luz tênue da lua, percebe, à margem do lago, uma lápide de altura equivalente a um homem. O monumento, de feição antiga, excede o abraço de um homem.
Ye Li, guiado pelo luar, toca suavemente a pedra, e percebe nela caracteres gravados. Aproxima-se e descobre tratar-se de uma inscrição em língua arcaica, já há seis mil anos em desuso.
“Hm? Esta lápide?” Ye Li observa atentamente. Apesar de sua estagnação no cultivo, como senhor da cidade teve acesso a muitos textos antigos, aprendendo neles a ler a escrita ancestral.
“Céus e terra, misteriosos e dourados; universo, vasto e ancestral. Todas as coisas do mundo são determinadas pelos céus; dos seres, apenas uma gota se toma. Corpo do mistério, dificuldades do infortúnio. Absorve a essência do céu e da terra, reúne a dignidade suprema...” Ye Li recita suavemente a inscrição.
No instante em que conclui a leitura, “Zun!” Um raio prateado dispara em direção ao seu entrecenho.
“Boom!” Quando o raio penetra sua testa, Ye Li sente um estrondo em sua mente, como se um trovão retumbasse; de súbito, sua consciência se esvazia, e ele desmaia.
Ao amanhecer, no bosque denso, o ar é puro e sereno; gotas de orvalho pendem nas folhas, os pássaros cantam alegremente.
“Senhor! Senhor!...”
“Senhor da cidade! Senhor!...”
A súbita urgência das vozes rompe a quietude do bosque.
“Hmm...” Ye Li desperta ao ouvir os chamados, massageando as têmporas e recuperando-se pouco a pouco.
“Vovô Xu, estou aqui.” Reconhecendo as vozes do mordomo Xu e de seus auxiliares, Ye Li responde apressado.
“Senhor, está bem?” O mordomo Xu, ao encontrá-lo, corre ao lago com os outros.
“Estou bem.” Ye Li ajeita as roupas.
“Ótimo, vamos retornar.” Diz o velho.
“Sim... Eh?” Ye Li percebe que a lápide da noite anterior desapareceu! Examina cuidadosamente: de fato, não está mais ali. Teria sido tudo uma ilusão? “Céus e terra, misteriosos e dourados; universo, vasto e ancestral. Todas as coisas do mundo são determinadas pelos céus; dos seres, apenas uma gota se toma. Corpo do mistério, dificuldades do infortúnio. Absorve a essência do céu e da terra, reúne a dignidade suprema...” Ye Li murmura, recitando de memória a inscrição, provando que tudo foi real.
Observa atentamente o solo e vê ali um punhado de pó. Ye Li já tem sua suspeita.
“Senhor, o que houve?” Xu indaga, vendo-o absorto.
“Nada. Vamos voltar.” Ye Li balança a cabeça e conduz os demais de volta ao solar do Senhor da Cidade.