Capítulo 4: Reflexões Silenciosas na Calada da Noite

Terlahir Kembali di Era Kebangkitan Dunia Tampan, tinggi, dan miskin 2633kata 2026-03-14 14:36:30

        O vínculo entre eu, minha tia e meu tio era de uma complexidade difícil de perceber na juventude. Naquela época, tudo me parecia injusto; achava que, fosse qual fosse o assunto, eles sempre tomavam o partido de Wang Xiaoyang, jamais o meu. Com o passar dos anos, porém, acabei compreendendo: afinal, Wang Xiaoyang era o filho biológico deles, e é da natureza dos pais protegerem o próprio sangue. Quanto a mim... para eles, eu nunca fui nada além de um fardo.

        Tan Yu tomou um banho demorado e agradável, trocou de roupa, e, ao tirar as vestes sujas, não insistiu em lavá-las todas sozinho, como costumava fazer. Ao contrário, caminhou obediente até onde estava a tia, e, sorrindo, pediu:

        — Tia, pode lavar minhas roupas para mim?

        A tia ficou atônita, surpresa por ouvir tais palavras dele. Após um instante de surpresa, sorriu com ternura e assentiu:

        — Claro. Quer comer melancia? A tia corta para você.

        — Quero.

        Ao ver Tan Yu tão dócil, a tia sorriu com suavidade e foi para a cozinha. Aquele menino, que antes sempre fazia questão de se manter afastado, agora lhe pedia favores; no fundo, isso aquecia seu coração.

        Wang Xiaoyang havia descido para jogar bola. Tan Yu ficou na sala, assistindo televisão. Na tela, Zhang Guoli e Wang Gang protagonizavam “Dentes de Ferro, Língua de Bronze: Ji Xiaolan”, ambos ainda jovens, em um cenário repleto do espírito da época.

        — Já tem algum plano para as férias? — perguntou o tio, sentado ao lado, saboreando sementes de melancia diante do ventilador que oscilava de um lado para o outro. Tan Yu não entendeu de imediato o que ele queria dizer.

        — Não vai trabalhar nessas férias para ganhar algum dinheiro? Não é fácil sustentar um rapazão como você em casa.

        Tan Yu ficou surpreso e olhou para o tio, notando um sorriso no canto dos olhos dele.

        Em outros tempos, jamais teria suportado esse tipo de brincadeira. Sentia-se desconfortável, como alguém vivendo de favor, certo de que eles se ressentiam de sua presença e do peso financeiro que representava.

        A tia entrou trazendo a melancia, ouvindo as palavras do marido, e lançou-lhe um olhar reprovador:

        — Fica o dia inteiro dizendo essas bobagens para o menino!

        Desta vez, porém, Tan Yu apenas riu:

        — Vida boa é roupa lavada e comida pronta, ainda mais nesse calor! Nem pensar em sair para trabalhar!

        O tio riu também:

        — Antes você ficava bravo com essas piadas. O que houve hoje?

        — De repente, cresci — respondeu Tan Yu.

        O tio assentiu:

        — Daqui a alguns dias, vamos juntos à cidade comprar uma mala nova e roupas novas. Agora que é universitário, não pode mais andar tão desleixado. Ah, e um celular também.

        ...

        Celular...

        Em minha vida anterior, só consegui comprar um Motorola no segundo ano da faculdade, com o dinheiro que ganhei trabalhando. Antes disso, só me restava comprar cartões telefônicos e usar o telefone público do corredor do dormitório.

        Naquela época, era comum que os estudantes só tivessem seu primeiro aparelho celular ao entrar na universidade, e, por isso, todos se fascinavam com aquela novidade. Um grupo de jovens inquietos, que passava o dia inteiro pedindo o contato das moças, à noite, após o toque de recolher, sacava o celular debaixo das cobertas para mandar mensagens para os números conquistados durante o dia.

        Assim, as tradicionais conversas noturnas dos dormitórios tornaram-se raras; eu, sem celular, apenas me deitava e dormia solitário no escuro. O sentimento de solidão era difícil de suportar.

        Na verdade, tudo que pedi à minha tia e meu tio, eles nunca recusaram. Mas, orgulhoso na juventude, só recorria a eles em último caso. E, em minha ingenuidade, pensava que, se não lhes pedisse nada, o laço entre nós se enfraqueceria. Que ilusão! A dívida de gratidão por terem me criado jamais desapareceria por tão ingênuo capricho.

        Agora, com a chance de recomeçar, era minha vez de protegê-los.

        Tan Yu prendeu a respiração, ouvindo a respiração regular de Wang Xiaoyang na cama de baixo — já dormia profundamente. Sentou-se, então, para sentir a energia espiritual do mundo ao redor.

        No primeiro ano da Maré, a energia espiritual era tão densa que quase sufocava.

        O despertar das habilidades não era uma bênção para o homem comum. Ao contrário dos romances da internet, não davam ao indivíduo o poder de voar ou controlar tudo ao seu redor. Aqueles que despertavam habilidades pela primeira vez sofriam efeitos colaterais intensos após usá-las.

        No meu caso, meu poder era o “Aura do Silêncio” — anulando as habilidades dos despertos ao meu redor, devolvendo-os à condição de pessoas comuns. Quanto mais eu crescia em poder, maior era o alcance da aura.

        Por outro lado, o efeito colateral que me acometia era uma compulsão incontrolável de pregar peças e travessuras. Essa habilidade passiva, durante a primeira grande onda de despertares, trouxe-me experiências de vida — ou melhor, de sobrevivência — extremamente penosas.

        Havia muitos despertos ao meu redor, e eu, inexperiente, não sabia distinguir quem possuía ou não habilidades. Por reflexo, acabava anulando os poderes de muitos deles.

        Isso me condenava a permanecer sob o ataque constante dos efeitos colaterais, de modo que, aos olhos dos outros, eu era um verdadeiro encrenqueiro... Espirrar meleca no chá dos colegas de dormitório, trocar clandestinamente as placas de gênero dos banheiros masculinos e femininos...

        Essas ações ousadas me levaram repetidas vezes à beira de levar uma surra.

        Mas havia situações piores. Meus efeitos colaterais não ameaçavam a sociedade ou a segurança de ninguém, mas alguns despertos não tinham essa sorte. Alguns viam seus corpos se agigantarem, outros se transformavam em monstros; havia os que enlouqueciam, ou se tornavam sádicos e canibais.

        A lembrança mais vívida era de um desperto que surgiria alguns anos depois — apelidado de “Vampiro”. Sua habilidade era voar, mas o efeito colateral era a sede de sangue.

        No início, saciava-se com o sangue de pequenos animais; depois, com sangue humano; mais tarde, apenas sangue humano fresco lhe bastava — e, por fim, apenas o sangue dos próprios despertos.

        Impulsionado por esse efeito colateral, era capaz de distinguir entre humanos comuns e despertos pelo olfato, e então começava a caçada sangrenta.

        Eu mesmo fui capturado por ele, e só não morri porque minha tia e meu tio arriscaram suas vidas para me salvar. O preço pago... Tan Yu sacudiu a cabeça, tentando dissipar as imagens atrozes daquele momento.

        Agora que tinha a chance de recomeçar, não permitiria que aquilo se repetisse. Mas... como agir? Não poderia protegê-los dia e noite. O melhor seria ensiná-los a pescar, em vez de entregar-lhes o peixe. Mas... e os efeitos colaterais?

        Além disso... como explicar a energia espiritual e os superpoderes? Eles jamais acreditariam.

        A noite de verão não esfriava, apesar da ausência do sol; o calor só aumentava com o zumbido dos mosquitos sob o mosquiteiro e o coaxar dos sapos lá fora.

        Tan Yu não sabia de onde vinham os efeitos colaterais de cada desperto, mas sabia que os primeiros que manifestaram tendências violentas jamais tiveram um final feliz!

        Se ensinasse minha tia e meu tio a despertar, e seus efeitos colaterais se limitassem a algo inofensivo, como cantar ou dançar, tudo bem. Mas e se surgisse algum traço violento?

        Que dilema.

        Os efeitos colaterais do Despertar de Nível Um eram irresistíveis — manifestavam-se inevitavelmente minutos após o uso da habilidade.

        Tan Yu se recordava claramente da primeira vez que fora tomado pela compulsão de pregar peças, da sensação de separação entre alma e corpo: via, como um deus, sua carne se lançando em travessuras, enquanto ele, impotente, só podia assistir.

        Não podia protegê-los o tempo todo, nem ensiná-los a despertar. O que fazer, então?

        Tan Yu suspirou, olhando para o ventilador de teto girando monotonamente, enquanto as lembranças da vida anterior desfilavam diante de seus olhos. Felizmente, ainda restavam alguns anos até que tudo aquilo acontecesse.

        Aquele “vampiro” também era de Jinling, e acabou morto por uma organização especial em uma rua de comidas em Xianlin.

        Aquela organização era um mistério insondável, difícil de se aproximar.

        Por outro lado...

        Agora, eu era um chefe final de nível máximo em meio à vila dos novatos — bastava encontrar o vampiro antes de todos.