Capítulo Um: A Pulseira Misteriosa

Kebangkitan Kekosongan Paman Gula Lima Puluh Derajat 3412kata 2026-03-12 14:43:05

Arrastando o corpo exausto, o velho Qin pedalava sua bicicleta já um tanto desgastada pelo caminho de volta para casa. A estrada era irregular, ligeiramente esburacada, afinal, não se comparava às avenidas bem cuidadas da cidade.

Era final de setembro; o clima se tornava um pouco fresco, misturado à brisa leve, e pedalar à noite não era nenhum suplício, pelo contrário, havia certo deleite naquela atmosfera.

O velho Qin trabalhara o dia inteiro; no ofício de mecânico, o labor era pesado, embora já estivesse acostumado, naquela noite sentia-se especialmente cansado, e, sem perceber, seus pés iam desacelerando o ritmo.

Os postes de luz brilhavam intensamente. No caminho rumo ao subúrbio, não se via viva alma, apenas as árvores à beira da estrada balançando suavemente sob a iluminação; olhando mais adiante, tudo se convertia numa massa escura.

Já era muito tarde. Os insetos escondidos nos arbustos à margem da estrada ainda cantavam com afinco. O velho Qin não consultava o celular, mas devia passar das dez, calculava ele, sentindo a fome apertar-lhe o estômago — por isso, apressou involuntariamente o passo dos pedais.

O poste à frente piscou algumas vezes, atraindo a atenção do velho Qin. Seu olhar percorreu os postes seguintes, e, sem querer, avistou sob a luz um pequeno orbe reluzente, cuja silhueta se destacava nitidamente no feixe do lampião.

Qin aproximou-se, parou e apoiou a bicicleta, decidido a examinar melhor.

“O que será aquilo?” – indagou-se, tomado por curiosidade.

A esfera era negro-acinzentada, não parecia sólida, antes lembrava um gás escuro, flutuando a menos de um metro do chão. Qin achou aquilo insólito, recuou um passo, empurrou a bicicleta na intenção de se afastar dali.

Talvez por conta de sua aproximação, a esfera negra pulsou, emitindo um brilho intenso, com as bordas faiscando como relâmpagos, e os postes vizinhos também começaram a piscar, iluminando a noite com uma claridade ofuscante. A esfera girava sobre si mesma, e o velho Qin, tomado de pavor, caiu sentado no chão, recuando desajeitadamente com as mãos, enquanto a bicicleta tombava ao solo.

O zumbido dos insetos cessou abruptamente — silêncio, um silêncio absoluto.

O corpo negro logo começou a crescer; a cada rotação, o centro, como se fosse um espelho, expandia-se, cercado por pequenos relâmpagos.

A bicicleta de Qin foi lentamente atraída em direção à esfera. Tanto o orbe quanto o espelho continuavam a crescer, e Qin, com esforço, afastou-se até cerca de cinco metros.

“O que diabos é isso?”

Sob seu olhar atônito, a bicicleta deslizou velozmente até a esfera, e, ao tocá-la, foi instantaneamente destroçada pelos relâmpagos negros. Qin soltou um grito, apavorado diante daquela cena.

O orbe, inflado pelo espelho central, transformou-se num anel e cessou de girar. O espelho ainda era negro, mais denso que a própria noite, mas parecia fino como uma folha de papel, por vezes lampejando sob a luz. Assim, mantinha-se suspenso no ar, e Qin sentiu um calafrio percorrer-lhe as costas.

Quis fugir, mas as pernas fraquejavam, mal conseguia se erguer; os olhos varriam o entorno, tomado de ansiedade.

De repente, o espelho projetou algo para fora e, em seguida, retraiu-se rapidamente, como se inspirasse e expirasse. Quando Qin voltou a focar sua atenção no espelho, um clarão irrompeu, e o poste vizinho explodiu com um estalo, espalhando luz ofuscante. Qin cobriu os olhos com a mão direita, instintivamente.

Após alguns segundos, afastou a mão e abriu os olhos: tanto a esfera quanto o espelho haviam sumido sem deixar rastro, como se jamais tivessem existido — mas havia algo novo no chão.

Aproveitando a iluminação remanescente, Qin fitou a mancha escura: parecia uma pessoa, caída ali, imóvel. Qin demorou a criar coragem, mas, enfim, se arrastou até lá.

De fato, havia alguém no chão.

“O que está acontecendo?”

Tremendo, Qin se abaixou para virar o corpo. O homem estava nu da cintura para cima, no peito uma tatuagem, como um quebra-cabeça, formando o número “41082”. O corpo, todo marcado de feridas recentes que reluziam em variadas cores — algumas profundas, exsudando sangue.

A cena fez o couro cabeludo de Qin se arrepiar.

“Quem será? Por que me parece tão familiar?” Qin não conseguia raciocinar.

Com a mão direita, aproximou-se das narinas do homem: nenhuma respiração. Qin sentiu um nó de pânico, olhou ao redor — naquela estrada, àquela hora, ninguém passava, seria inútil tentar pedir ajuda.

Ainda assim, era uma vida ali, não podia simplesmente ignorar.

Recorrendo ao pouco de primeiros socorros que conhecia, Qin pressionou o peito do desconhecido algumas vezes, tornou a verificar a respiração — nada.

Agarrou o braço esquerdo do homem para sentir o pulso e, sob a luz distante do poste, notou algo no pulso: parecia uma tatuagem.

Apalpou o pulso — nenhum sinal. Virou o pulso, e a tatuagem assemelhava-se a uma pulseira, emitindo um tênue halo negro.

“Isso ainda brilha? E negro?” Qin achou estranho — as pessoas hoje em dia tatuavam cada coisa...

Atônito, de súbito sentiu uma dor aguda no próprio pulso. Qin estremeceu e rapidamente soltou a mão, sentindo que algo penetrava em seu corpo, circulando velozmente pelo pulso esquerdo. Olhou atentamente, mas nada viu em sua pele.

Já no pulso do homem, a tatuagem de pulseira sumira.

Ao mesmo tempo, o corpo no chão começou a se dissipar, diluindo-se como areia fina, até desaparecer por completo, como se jamais existira. Nada restou no solo, exceto um pequeno fragmento de pedra azul, reluzindo ao lado do braço direito.

Qin permaneceu absorto, depois se abaixou e recolheu a pedrinha, que lhe causou leve ardor na mão. Observou-a atentamente: era como vidro, semitransparente, multifacetada, com vestígios de fusão em um dos lados; fora isso, nada de anormal.

Suspirou — a bicicleta se fora, restava-lhe caminhar até em casa. Resignado, guardou a pedrinha azul no bolso.

“Que situação...” murmurou, e pôs-se a caminhar, aborrecido, rumo ao lar.

Quando finalmente chegou em casa, era quase onze da noite.

Após tudo aquilo, perdera o ânimo até para cozinhar. Largou o uniforme de trabalho na cadeira, remexeu na geladeira por qualquer coisa e, após comer às pressas, só pensava em dormir.

Ao se preparar para deitar, já à beira da cama, por um impulso voltou à mesa, retirou do bolso a pedra azulada e examinou-a sob a luz: nada de novo. Depositou-a sobre a mesa, deixou a lâmpada acesa e, tomado pelo cansaço, desabou sobre a cama.

O quarto era pequeno e ligeiramente desarrumado, sem traço de presença feminina; claramente, há muito não fora limpo a fundo.

Exausto, Qin adormeceu rapidamente.

Mas seu sono foi inquieto: durante o sonho, a mão esquerda tremia de tempos em tempos, e ele, sem notar, coçava-a com a mão direita.

De repente, uma dor lancinante o fez sentar-se, atônito, olhando para o pulso esquerdo.

No pulso, uma saliência ergueu-se, semelhante a uma reação alérgica, mas, ao olhar de perto, percebia-se que a protuberância pulsava, emanando um brilho negro de aspecto mecânico. Parecia uma pulseira, mas muito maior, com sete espirais em relevo, cercadas por listras negras que se retorciam ao redor.

Qin ficou estarrecido, sacudiu o braço tentando livrar-se daquilo, mas o objeto já se fundira à sua pele, unindo-se como se sempre ali estivera.

“O que é isso?”

Lembrou-se da esfera negra na estrada. “Seria aquilo o que estava no pulso daquele homem? Quando o toquei, entrou em mim?”

“Vírus? Parasita? Ser de outro mundo?” Qin conjecturava.

Correu para a mesa, examinou a ‘pulseira’ à luz: parecia mecânica, mas também viva.

“Pulseira contagiosa?”

Apertou-a com a mão, já não doía como no sonho. Lembrou-se então da pedra azul, pegou-a e tornou a examiná-la, sem notar nada de especial, salvo o leve ardor ao tocá-la. Não entendia o que eram aqueles objetos encontrados naquela noite.

Sentia-se profundamente confuso.

Olhou para o pulso, depois para a pedra, e ao aproximá-la do braço, viu que uma das sete espirais emitia um brilho negro.

Movido por um impulso inexplicável, Qin encostou a pedra azul no pulso, e de repente ela foi sugada pelo vórtice, fundindo-se lentamente à pulseira, que logo explodiu em uma onda de luz negra, formando rapidamente um espelho escuro no ar, idêntico à esfera da noite anterior.

Qin recuou, apavorado como se visse um fantasma.

O espelho, porém, permaneceu inerte, suspenso no ar. Qin, dominando o temor, aproximou-se, estendeu um dedo, e viu-o desaparecer ao atravessar a superfície — mas sentia-o normalmente, sem qualquer efeito adverso.

Retirou o dedo, atônito, sem saber o que fazer.

Ainda perplexo, o espelho negro brilhou de súbito e, num ímpeto, engoliu Qin por inteiro. Sua mente mergulhou no vazio, perdeu os sentidos, e o espelho sumiu como se nunca existira, um sopro silencioso varreu o recinto, levantando poeira e exalando um aroma estranho.

Não se sabe quanto tempo se passou até que Qin recobrasse a consciência. Abriu os olhos e, ao examinar o entorno, sentiu-se imediatamente alarmado: não estava mais em sua casa, mas numa espécie de barracão tosco, com paredes de madeira fina improvisadas.

O teto era feito de folhas desconhecidas, os arredores abertos, expondo um céu turvo e sombrio.

Onde estaria? Qin ficou completamente desnorteado.