Capítulo Um: De Volta

Kembali Setelah Tiga Puluh Tahun Melintasi Dunia Asing Hanbao Berjalan di Atas Angin 2836kata 2026-03-12 06:47:55

Capítulo Um — De Volta

No interior do ônibus que balançava suavemente, os passageiros eram poucos; todos ocupavam seus assentos e, pelo modo de vestir e pelas idades, era evidente que, em sua maioria, tratava-se de estudantes universitários.

Sentado no meio do veículo, junto à janela do lado direito, um rapaz abraçava um grande ramalhete de rosas, com a cabeça baixa, cochilando. De súbito, estremeceu e levantou-se de um salto.

As rosas e a caixa de presente que repousava sob as flores caíram ao chão, atraindo olhares surpresos dos outros passageiros. No entanto, ninguém se mostrou verdadeiramente espantado; parecia claro que aquele rapaz apenas tivera um pesadelo ao adormecer e acordara abruptamente.

De fato, o jovem respirou fundo algumas vezes, permaneceu de pé, atônito, por um instante, observou o interior do ônibus, depois olhou pela janela e, ao se recompor, retomou seu assento.

Os demais passageiros não podiam imaginar o turbilhão que se desenrolava, naquele momento, no coração de Chen Dao.

Um instante antes, ele ainda combatia furiosamente sobre o cume do “Vulcão do Desespero” em outro mundo, onde um descuido poderia relegá-lo ao oblívio eterno. Após sacrifícios dolorosos e perdas irreparáveis, ele e seus companheiros finalmente alcançaram o topo e conquistaram aquilo que acreditavam ser a chave para alterar o destino—quando, de repente, sua consciência se esvaiu.

Ao “acordar” de novo, estava sentado dentro de um ônibus.

O veículo era novo, limpo, provavelmente recém-integrado à frota. Do lado de fora, as construções e os transeuntes, tingidos pelo dourado do entardecer, pareciam envoltos por um véu diáfano, conferindo ao cenário uma atmosfera fresca e acolhedora.

Essas imagens, esse ambiente, soavam-lhe ao mesmo tempo estranhos e familiares. Afinal, após mais de trinta anos em um mundo paralelo, tornara-se mais familiarizado e adaptado a um universo repleto de crises, impregnado pelo odor de enxofre, infestado de monstruosidades ferozes e grotescas, onde cada dia era uma luta pela sobrevivência.

Memórias há muito soterradas, quase esquecidas, começaram a emergir lentamente. Ele percebeu que estava exatamente no mesmo lugar em que se encontrava antes de sua travessia.

Ao encarar o reflexo no vidro, viu o rosto jovem e liso. Sentiu-se por um momento desorientado:

Quer dizer, todos aqueles mais de trinta anos de vida e morte no outro mundo, neste, não passaram sequer de um instante? Ou talvez, nenhuma fração de tempo sequer tenha transcorrido?

Seria possível que aquela existência vívida e infernal não passasse de um pesadelo? Ou talvez, teria sido o objeto no topo da montanha que o trouxera de volta?

Baixou os olhos para suas mãos, claramente de quem jamais fizera trabalho pesado, apenas com calos nas palmas devido ao uso excessivo do mouse—e então as cerrou devagar.

O punho fechado tremia, os nós dos dedos arroxeados pelo excesso de força. Após alguns segundos, relaxou a mão e soltou o ar, sentindo-se completamente diferente—ou melhor, destituído da força avassaladora que possuía no outro mundo. Era evidente que seu corpo poderoso não retornara junto com a alma e as memórias.

Não obstante, Chen Dao não sentiu pesar por isso. Observando a paisagem urbana efervescente a deslizar pela janela, seu coração se enchia de uma serenidade profunda.

Melhor ser um cão na paz do que um homem em tempos de caos.

Para Chen Dao, viver como alguém comum em um ambiente estável era infinitamente mais feliz do que ostentar força e passar os dias numa luta constante pela própria vida.

Lutar em outro mundo, enfrentar monstros, debater-se entre a vida e a morte, não era, de modo algum, tão excitante ou divertido quanto retratam animes, romances ou filmes. Ao longo de três décadas e meia naquele universo, Chen Dao conheceu o desespero inúmeras vezes, pensou em desistir, desejou pôr fim à própria vida, acreditou jamais superar as adversidades.

Se existe realmente o inferno, para ele, aquele mundo era o próprio inferno.

Apenas dor e luta, sem esperança ou futuro—um abismo sem fim, onde só restava a luta mecânica pela sobrevivência.

Agora, finalmente, ele podia se libertar de tudo aquilo.

Ele enfim conseguira rastejar para fora do inferno!

Comparados ao que enfrentara naquele mundo, os sofrimentos e aborrecimentos deste carregavam um sabor adocicado.

Baixou os olhos para a caixa sob as flores—era uma caixa de chocolates.

Trinta anos longe dali haviam-lhe feito esquecer o sabor do chocolate—ou, mais precisamente, o gosto da maioria dos alimentos deste mundo.

Lá, não havia tempo, nem condições, nem ânimo para pensar em sabores; cozinhar era um luxo inimaginável, comer cru era a norma, e quando conseguiam cozinhar, jamais usavam temperos.

Assim, Chen Dao abriu cuidadosamente a embalagem, pegou um pedaço e levou-o à boca.

Bastaram duas mordidas para que seu nariz ardente e a visão turva anunciassem as lágrimas que escorriam silenciosas.

Não era que o chocolate estivesse ruim—pelo contrário, era bom demais!

Isto sim, era comida de verdade!

No ônibus, uma garota notou o rapaz comendo chocolate, lacrimejando, e cutucou discretamente o namorado:

— Parece que terminou um namoro…

— Hum… coitado… — murmurou o rapaz com um toque de compaixão.

Era Dia dos Namorados; pela aparência, aquele jovem provavelmente fora procurar a namorada no campus, mas fora rejeitado antes mesmo de encontrá-la—e agora, devorava o chocolate que seria presente, tentando aliviar o coração ferido.

Em breve, o ônibus chegou ao ponto final, próximo a uma universidade.

Chen Dao desceu com o ramalhete e a embalagem vazia do chocolate, dirigindo-se à lixeira mais próxima.

Primeiro, lançou a caixa vazia no lixo; depois, contemplou as rosas nas mãos, hesitou, olhou em volta, e por fim também as jogou fora.

Os transeuntes, ao testemunhar a cena, suspiraram em silêncio; alguns chegaram a tirar fotos, enviando para amigos no WeChat: “Não sei se foi uma declaração de amor fracassada ou se acabou de ser dispensado. Que situação triste.”

De fato, Chen Dao parecia um jovem desiludido, obrigado a descartar flores e chocolates após um encontro frustrado—lamentável e digno de pena.

Sua hesitação, olhando em volta antes de jogar as flores, só acentuava a impressão de pesar e relutância.

Depois de se desfazer do ramalhete e da embalagem, Chen Dao tomou outro ônibus de volta.

Escolheu um assento ao lado da janela. Enquanto as luzes da cidade recém-acendidas riscavam seu rosto, fechou os olhos, com um leve sorriso de satisfação e alívio.

Viver—que bênção.

Poder voltar—que bênção.

Para ser sincero, ao chegar ao destino, levou um bom tempo para se lembrar para onde ia com aquelas flores e chocolates antes de tudo mudar.

No primeiro ano da faculdade, enquanto atuava como voluntário, conheceu uma estudante de outra universidade da cidade, por quem se apaixonou.

Após um ano de cortejo, planejava, naquele Dia dos Namorados, declarar-se à jovem em seu campus.

Lembrava-se vagamente de ter sido completamente obcecado por ela, a ponto de perder o sono e o apetite, convencido de que era sua única chance, a mulher de sua vida.

Porém, depois de trinta anos no outro mundo e ao retornar a este corpo, não conseguia sequer recordar o nome ou o rosto da moça.

Aquela paixão desenfreada, a ânsia de sacrificar tudo por amor, haviam-se esvaído por completo.

Ao deparar-se com a carta de confissão escondida entre as flores, Chen Dao apenas esboçou um sorriso constrangido.

Além disso, ao verificar o celular, percebeu que sua “declaração surpresa” sequer fora comunicada à garota por mensagem ou ligação.

Pelas recordações difusas e pelas conversas no WeChat, ficava claro que ela não correspondia a seus sentimentos; era tudo platônico.

O resultado daquela confissão estava escrito nas estrelas.

Assim, Chen Dao cancelou sem remorso o risível plano de “confissão” que seu eu de trinta anos atrás havia arquitetado—até porque o chocolate já fora devorado.

Quanto à hesitação diante da lixeira, era apenas pena das flores.

Embora não se lembrasse do preço, sabia que, em pleno Dia dos Namorados, um ramalhete tão grande certamente não fora barato.

Se ao menos pudesse entregá-las a outro rapaz que ainda não comprara flores para a namorada, ao menos não se perderiam em vão…

Mas logo desistiu; afinal, flores são símbolo de sentimento—não cabia passá-las adiante.

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