Capítulo 005: A Primeira Prova – Parte 4
Num piscar de olhos, chegou o dia do banquete de apreciação das flores na mansão Xu.
As duas irmãs vestiram as roupas recém-feitas e seguiram com a senhora Xu para a residência da família.
No enredo original, neste dia, Su Lanxin estava radiante de felicidade. Era a primeira vez que participava de um evento assim e trajava um vestido confeccionado com o tecido escolhido por Su Kexin, partindo animada rumo ao banquete. Contudo, o que a aguardava era um infortúnio: as jovens nobres ali presentes zombaram de sua vestimenta e, graças à divulgação proposital de Su Kexin, a condição de mercadora de sua mãe logo se espalhou. Su Lanxin tornou-se alvo do escárnio e do isolamento, sendo apontada e ridicularizada. Por fim, tomada de vergonha e humilhação, não ousou permanecer no salão.
Então, a “bondosa” senhora Xu a conduziu até a presença da senhora Xu, que mencionou o apreço da marquesa de Yongning pelo bordado duplo, em especial pelas peônias. A protagonista, já devastada e sem forças, com o coração quase reduzido a pó, ao ouvir que bastaria bordar uma peça em duplo fio para conquistar o favor da marquesa e ingressar na casa do marquês, já não tinha mais discernimento para distinguir verdade de mentira, aceitando de pronto a proposta.
E assim, teve início a calamidade que se abateria sobre Su Lanxin.
Agora, porém...
No canto dos lábios de Lin Xi despontou um sorriso gélido, quase imperceptível. Ela era tão dócil e obediente; como não aceitaria?
Mal sabia Su Kexin que, ao deparar-se com o traje de Lin Xi, o bom humor de suas primas logo se dissiparia. Até mesmo Xu Xiangxiang trazia no rosto uma expressão de espanto: como aquela cor de roupa, inesperadamente, lhe caía de forma tão deslumbrante!
Su Kexin escolhera de propósito um tom azul-pato para Su Lanxin, mas não contava que ela bordaria, nas mangas e na barra, ramos de flores em delicados tons rosados, conferindo vida e graça ao vestido, sobrepujando em beleza o próprio esmero de Su Kexin.
O semblante de Su Kexin escureceu, os lábios quase se torcendo de despeito. Agarrando a manga do vestido de Lin Xi, resmungou:
— Irmã mais velha, essa roupa não está nada bonita. Por que não volta para trocar antes de vir?
— Ora, foi você quem escolheu a cor pra mim! Eu achei linda! Ficou muito melhor que meus trajes antigos. Por que agora diz que está feia? — Lin Xi franziu levemente a testa, simulando contrariedade. — Além disso, só fiz este conjunto novo. Não tenho outro apropriado para a ocasião!
A voz de Lin Xi era suave como algodão, mas as palavras, afiadas como agulha em veludo: insinuavam que Su Kexin a armara uma cilada e, de passagem, alfinetavam a senhora Xu, responsável pelas roupas da casa, por sua evidente predileção.
A senhora Xu não pôde deixar de se surpreender: desde quando aquela menina taciturna aprendera a insinuar coisas com palavras veladas? Observou disfarçadamente o semblante de Su Lanxin, que exibia um leve traço de mágoa, mas sem qualquer rancor — talvez fosse apenas coincidência.
A senhora Xu franziu o cenho, repreendendo Su Kexin:
— Não faça escândalo, que feio!
E logo convidou as duas irmãs a entrarem na carruagem, partindo diretamente para a mansão Xu.
Chegando lá, naturalmente dividiram-se: os adultos para um lado, as jovens para outro. A filha mais velha dos Xu as guiou até os jardins.
Para Lin Xi, era a primeira vez vendo, com os próprios olhos, o lendário jardim onde tantas histórias de amores trágicos e intrigas se desenrolavam.
A família Su também possuía um jardim, mas pequeno e sem graça. O da mansão Xu, por sua vez, era magnífico: rochedos tortuosos, pontes sobre riachos, galerias sinuosas, e uma profusão de flores e plantas de toda sorte. Se não fosse pela companhia desagradável das “irmãs”, Lin Xi se sentiria verdadeiramente encantada. Nenhum parque ou área de lazer de seu antigo mundo poderia rivalizar com aquilo — e era apenas o jardim de um simples intendente!
O ar de genuíno deslumbramento de Lin Xi provocou risadinhas entre as jovens.
A filha legítima de Wang, vice-comissário da província, cobriu os lábios, rindo:
— Filha de mercador é mesmo diferente das outras!
Outra moça, vestida de vermelho, comentou em voz clara:
— Ora, dizem que sua família materna é das mais ricas da região!
De súbito, lembrando-se de algo, levou a mão à boca e desculpou-se com a filha mais velha dos Xu:
— Ai, que cabeça a minha... Não leve a mal, irmã Xu!
Todas exibiram olhares de quem já sabia: afinal, a família materna de Su Lanxin era justamente a casa Xu, onde se encontravam agora.
A filha mais velha dos Xu torceu os lábios, sem entender por que a avó insistira em convidar Su Lanxin, só para causar embaraço. Wang Caiping, com sua língua ferina, certamente não perderia a chance de fofocar depois, e Gu Jin’er, sua rival de sempre, também não deixaria de por lenha na fogueira.
Apesar do aborrecimento, manteve-se impassível diante das demais, dizendo à moça de vermelho:
— Que bobagem, irmã Gu! Ela só veio acompanhando Kexin, é a primeira vez que a vejo.
E, aproveitando a distração geral, lançou um olhar fulminante a Su Kexin.
Ao lado de Su Kexin, uma menina de pele levemente amarelada, com cerca de quinze ou dezesseis anos, sorriu de modo estranho:
— Aquela é sua irmã?
Su Kexin, recordando as instruções da mãe, Xu Xiangxiang, assumiu um ar de piedade:
— Sim, coitadinha, vive reclusa na mansão, sem ter para onde ir. Não sei como ficou sabendo do banquete na casa da avó. Ao saber que viriam jovens nobres de Baoying, implorou à minha mãe para participar. Afinal, minha irmã já tem dezesseis anos...
Ao final, exibiu um sorriso de malícia: todas entenderam imediatamente — queria aproveitar a ocasião para arranjar um bom casamento!
As jovens logo expressaram desprezo:
— Ela? Filha de mercadores?
— Pois é, gente assim jamais alcançará algo elevado, mas sonha em dar o salto!
Os comentários depreciativos se multiplicaram, reduzindo Su Lanxin a pó. Su Kexin ainda acrescentou combustível:
— Não digam isso, a mãe dela também era filha de mercadores e casou-se com meu pai, não foi?
Ah, então tal mãe, tal filha! Uma linhagem de comerciantes — o desprezo nos rostos intensificou-se.
Lin Xi sabia que Su Kexin, como em sua vida anterior, espalhava todo tipo de lama sobre ela. E daí? Ao menos não podiam mais chamá-la de feia!
No enredo, após o banquete, Su Lanxin ficou conhecida em Baoying como a moça sem beleza que sonhava alto. Ao ouvir tais rumores, Ye, sua mãe, quase enlouqueceu de preocupação. Por isso, ao saber do possível casamento com a casa do marquês, entregou sem hesitar o dote à senhora Xu, a quem devia tanto, sem suspeitar de nada.
Xu Xiangxiang sempre manejou com maestria a arte de dar um tapa e, em seguida, um doce.
Para falar a verdade, Lin Xi pouco se importava com a opinião das jovens nobres — sua batalha não era ali.
Xu Xiangxiang, a senhora Xu, e o pai indigno precisavam desse casamento com a casa do marquês.
Na verdade...
Lin Xi sorriu, às escondidas: ela também precisava dessa aliança! Como dizem, “quem teme quebrar a porcelana, não atira no rato!” Sem valor de uso, como teria dias melhores? Como não corresponder às expectativas e atuar como eles desejam?
Assim, o rosto de Lin Xi transfigurou-se, passando do constrangimento à timidez, até desmoronar por completo, cobrindo o rosto com as mãos como se chorasse, embora seus olhos, secos, quase ardessem em fogo. Queria mesmo chorar, mas lhe faltava talento para o fingimento — não era o caso de molhar os olhos com saliva!
Então, como chuva providencial, Xu Xiangxiang chegou para consolar, envolvendo a desolada Su Lanxin e levando-a aos aposentos da velha senhora...
E todas passaram a elogiar a postura bondosa e sensata de Xu Xiangxiang, invejando Su Kexin por ter uma mãe tão virtuosa.
Xu Xiangxiang, vitoriosa, e Su Kexin, satisfeita com sua maldade, não notaram o olhar sombrio e gélido da jovem de pele amarelada ao lado.