Capítulo Quatro: A Brigada de Resgate
Já se passaram três dias desde a última batalha contra o zumbi mutante no centro comercial. Li Ang seguia sua rotina metódica de limpar os zumbis que infestavam o local, acumulando pãezinhos, ao mesmo tempo em que se habituava ao seu poder de velocidade — afinal, não era fácil fazer curvas com ele. Procurava comer o máximo de pãezinhos possível a cada dia, fortalecendo o corpo, e guardava o restante no espaço especial dos pãezinhos.
Nesses dias, não encontrou mais zumbis mutantes, apenas os comuns, embora parecessem cada vez mais fortes. Aqueles cujo corpo já entrava em colapso acabavam por esfacelar-se sozinhos.
Naquele meio-dia, logo após abater alguns zumbis, Li Ang repousava num canto do segundo andar do centro comercial quando, do lado de fora, ouviu sons repetidos de tiros — um crepitar contínuo, intercalado por estampidos que soavam como explosões. O barulho foi crescendo, e logo se misturaram vozes em altos brados, mesmo que, à distância, não se distinguissem as palavras.
Gente viva?! Li Ang estremeceu, pondo-se de pé de súbito. Havia quanto tempo não via um ser humano? Dez dias? Parecia uma eternidade; talvez fosse esse o significado da expressão “um dia longe equivale a três outonos”.
Agarrou seu machado de bombeiro e, guiado pelo som, saiu do centro comercial, caminhando apressado.
Após cruzar três esquinas e dobrar uma rua, deparou-se com sete soldados, todos em uniforme completo. Sob ordens enérgicas do que parecia ser o líder, avançavam com disciplina sob aparente desordem, cada um empunhando um fuzil modelo 95, disparando em rajadas controladas — os zumbis que bloqueavam o caminho iam tombando um após o outro.
Li Ang viu-os, e eles também notaram sua presença. O homem à frente — provavelmente o capitão do grupo — fez um gesto, convidando Li Ang a aproximar-se. Os outros, ao reparar em sua figura, notaram as roupas um pouco desalinhadas, mas impressionaram-se com seu semblante tranquilo, sem pânico ou euforia, apenas uma placidez que os surpreendeu. Ainda assim, não relaxaram o ritmo, continuando a abater zumbis com precisão e sincronia.
Em pouco tempo, os zumbis daquele trecho estavam eliminados. Li Ang, atento, notou que, quando eles matavam zumbis, não caíam pãezinhos. Sim, de fato — apenas ele tinha esse estranho poder. Ter uma habilidade especial era motivo de júbilo, mas… que tipo de dom fazia zumbis derramarem pãezinhos? Bem, ao menos lhe era útil.
O capitão aproximou-se e, dizendo apenas “venha comigo”, não se estendeu em palavras. Ninguém mais lhe dirigiu conversa; Li Ang, resignado, seguiu o grupo.
Logo chegaram a um supermercado — o mesmo de onde Li Ang retirara suprimentos no início. Entraram e, de imediato, dividiram tarefas: uns verificavam o interior, outros empilhavam mercadorias para barrar a entrada, e os restantes montavam guarda.
Aparentemente, estavam em segurança. Só então o capitão dirigiu-se formalmente a Li Ang: “Olá. Sou do Distrito Militar de Gusu, posto de subtenente, líder deste destacamento. Meu nome é Zhang; pode me chamar de Velho Zhang.” Devia ter pouco mais de trinta anos; a pele escura e o rosto de traços firmes compunham o arquétipo do soldado endurecido.
“Prazer, sou Li Ang. Vocês foram enviados pelo governo? Como está a situação?”
“Meu jovem, para ser franco, a situação não é boa. Conseguimos estabelecer uma base para sobreviventes na divisa do distrito Xiang de Gusu com a cidade de Qinchuan, mas temos menos de cem mil sobreviventes.”
Cem mil podia parecer muito, mas antes do apocalipse, Gusu contava quase dez milhões de habitantes! Qinchuan, sendo uma cidade condado sob jurisdição de Gusu, tinha outros dois milhões.
Li Ang sentiu um misto de emoções. Nos últimos dias, matando zumbis, não encontrara um único sobrevivente, apenas cadáveres dilacerados. Estava, de certo modo, preparado, mas ouvir que, de mais de doze milhões, restaram menos de cem mil… ainda assim era um golpe doloroso, uma tristeza surda.
“A missão de vocês é limpar os zumbis?”, indagou Li Ang.
O capitão suspirou: “Como poderíamos dar cabo de todos eles? Viemos porque captamos um sinal de socorro vindo destas redondezas e, aproveitando, viemos avaliar a situação. Você emitiu o sinal de emergência?”
“Sinal de socorro? Eu não emiti nada.”
“O pedido dizia que estavam presos no Edifício Jinmao. De acordo com o mapa, deveria ser aqui perto, mas muitos sistemas estão fora do ar; a localização é aproximada. Jovem, você conhece o Edifício Jinmao?”
“Conheço. Posso levar vocês até lá.”
“Excelente. Todos, descanso no local. Partida em dez minutos!”
O capitão Zhang sentou-se encostado a uma prateleira, e os demais se acomodaram como podiam, sentados no chão ou de costas para a parede. Descanso, sim, mas pelo olhar atento, via-se que não baixavam a guarda.
Logo os dez minutos passaram. Todos se ergueram como num só impulso, revisando as armas, municiando-as, prontos para o combate.
“Por favor, jovem, lidere o caminho.”
“Vamos, sigam-me.”
O grupo deixou o supermercado e avançou em direção ao Edifício Jinmao, a cerca de dois quilômetros dali — na direção oposta ao centro comercial onde Li Ang costumava eliminar zumbis. Não sabia que perigos esperavam, mas agora, autoconfiante em suas habilidades, seguia na dianteira com serenidade, enquanto o grupo de Zhang mantinha-se em constante alerta.
Pelo caminho, encontraram alguns zumbis dispersos. Li Ang não interveio; em pouco tempo, chegaram ao edifício. Era uma construção já antiga, doze andares, nada de impressionante para os padrões urbanos modernos. Em tempos pós-apocalípticos, elevadores estavam fora de uso — água e luz haviam cessado na primeira semana do fim.
A busca teria de ser feita andar por andar.
O vestíbulo abria-se para um grande saguão, ladeado por quatro elevadores. Após o saguão, um corredor transversal; escadarias subiam pelos dois lados. Com um gesto, Zhang dividiu a equipe em dois grupos, que avançaram cautelosos, cada um por um lado.
Zhang voltou-se para Li Ang: “Não sabemos o que nos espera acima. Fique perto de mim e, diante de perigo, procure abrigo imediatamente.”
“Sim.”
Antes do apocalipse, o prédio já estava semi-abandonado. Pouquíssimas empresas ainda funcionavam ali; quase ninguém aparecia. Por isso, as duas equipes subiram rapidamente até o décimo primeiro andar. O local parecia em obras: paredes derrubadas, restando apenas colunas estruturais; materiais de construção espalhados, um enorme vazio de cerca de cinquenta metros de comprimento por vinte de largura.
Observando ao redor, ouviram um ronco profundo. Guiados pelo som, viram, no centro do espaço, um homem obeso, deitado e roncando alto. Mas não era homem — o corpo descomunal, com a barriga erguendo-se meio metro do chão, o comprimento de cerca de três metros, a pele azulada, garras afiadas nas mãos. Sem dúvida, um zumbi — e provavelmente mutante.
Todos ergueram as armas, mas não dispararam de imediato. Mantiveram-se atentos, até que Zhang sinalizou, dedos contando regressivamente: três, dois, um.
“Fogo!” Com o brado furioso do capitão, sete fuzis modelo 95 cuspiram labaredas como dragões, liberando uma tempestade metálica sobre o zumbi prostrado.
Ouviram-se choques metálicos; o colosso ergueu-se, lento, mas impondo uma pressão esmagadora — como uma montanha que se ergue do solo.
“Roooaaar!” O urro retumbou, fazendo o edifício tremer. Os três soldados à frente, tomados de terror, pararam de atirar, imóveis.
Bum! Bum! Bum! Com as passadas do gigante, o chão tremia como se um terremoto se abatesse. “Afastem-se!”, gritou Zhang aos três paralisados.
Mas era tarde. O zumbi mutante brandiu um braço grosso quanto a coxa de um homem, golpeando da direita para a esquerda. Um dos soldados, na extremidade, conseguiu atirar-se ao chão, escapando por pouco. Ouviu-se o estalar de ossos — os outros dois foram arremessados contra a parede externa, soltando sangue pela boca enquanto voavam, caindo inconscientes, os corpos em ângulos antinaturais — dificilmente sobreviveriam.
“Matar!”, bradou Zhang, extravasando sua fúria de aço contra o monstro. Mas, diante da evolução monstruosa da criatura, a tecnologia humana parecia impotente: as balas tilintavam, deixando apenas feridas superficiais na pele grossa do zumbi.
“Roooaaar!” O zumbi, igualmente tomado de fúria — afinal, quem gosta de ser acordado de seu sono por metralhadoras? — investiu em todas as direções, como um titã impossível de deter. Ainda assim, talvez pelo porte descomunal, movia-se com certa lentidão; Zhang e seus homens, abrigando-se atrás das colunas, esquivavam-se e revidavam, num combate tenso e arriscado.
A armadura do zumbi não era invencível; sob o tiroteio contínuo, a pele ia-se rompendo pouco a pouco.
Li Ang, atento, observava de longe — não ousava atacar de imediato. Seu poder era de combate corpo a corpo; avançar agora só atrapalharia o grupo. Além disso, a resistência daquela criatura estava muito além do que poderia romper.