Capítulo 4: O Caminho para a Sobrevivência III
Chu Yi’an recuou apressadamente para dentro da varanda, as pernas trêmulas ao escutar os gritos lancinantes vindos do apartamento ao lado. Mais adiante, no campo de esportes e no refeitório, ainda havia pessoas fugindo desesperadamente; por toda parte, onde o olhar alcançava, estendia-se um verdadeiro inferno na Terra.
Medo, perplexidade.
Suas roupas estavam encharcadas de suor, o corpo todo tremia incontrolavelmente, como se tivesse acabado de emergir das profundezas de um lago. Um zumbido persistente nos ouvidos a impedia de ouvir qualquer som; sua mente estava vazia, e o olhar, turvo.
Não se sabe quanto tempo se passou até que ela recobrasse os sentidos e se lembrasse de que ainda possuía um telefone. Os aplicativos de mensagens estavam à beira da explosão de notificações.
Chu Yi’an fixou o olhar no grupo intitulado [Geologia, Turma de 2022].
[Socorro, tem— 16h12]
[Estou no escritório do prédio de laboratórios 4, não consigo ligar para a polícia— 16h06]
[Alguém conseguiu escapar? Estou escondida no banheiro do terceiro andar do prédio de aulas, estou apavorada— 16h06]
[Assim que ouvirem o aviso sonoro, procurem abrigo imediatamente, há um grupo de lunáticos atacando pessoas fora da escola, os seguranças não estão dando conta— 15h59]
[Por que soou o alarme antiaéreo? Eu estava descansando, que barulho.— 15h55]
[…]
[Ouvi dizer que houve distúrbios na estação de trem, os arredores do shopping estão isolados, alguém sabe o que está acontecendo?— 15h43]
Essas mensagens remontavam, no máximo, a vinte minutos atrás.
Desde o início do tumulto até agora, não havia se passado sequer meia hora, mas para ela parecia uma eternidade, como se tivesse atravessado vidas.
Ao saber que ainda havia outros sobreviventes no campus, passou a tentar ligar para diversos números de utilidade pública. Sem sucesso, voltou-se para a busca de notícias oficiais.
Encontrou!
Diante de si, um site de fundo azul e letras brancas exibia apenas duas linhas:
[Neste momento ocorre um distúrbio em larga escala na cidade de Shigang. O Departamento de Polícia de Shigang divulga a seguinte orientação:
Recomenda-se que todos os cidadãos permaneçam em ambientes fechados, evitem aglomerações e preparem provisões de comida e água suficientes para pelo menos três dias, aguardando o resgate.]
Vendo tal recomendação, decidiu obedecer fielmente às instruções. Colocou o telefone para carregar e começou a inventariar os recursos que possuía no dormitório.
Em dormitórios femininos, nunca faltam guloseimas.
Achou quatro mangas, meia embalagem de leite em pó, tâmaras secas e um pacote de lanches maior que seu travesseiro, recheado com dezenas de petiscos—principalmente massinhas fritas, batatas chips, frutas secas e carne desidratada.
Teria mantimentos suficientes para algum tempo.
Mas… ela não poderia apenas permanecer ali aguardando o resgate.
A intensidade da situação quase a fez esquecer: estava presa em um jogo estranho, cujo objetivo final era chegar ao ponto de resgate em cinco dias.
Mas onde ficava o ponto de resgate? E, em meio ao caos, como poderia sair para procurá-lo?
Ao se dar conta dessas perguntas, Chu Yi’an voltou a se sentir inquieta. Vasculhou o telefone em busca de qualquer informação sobre o local de resgate, até que, exausta, adormeceu sobre a mesa.
Segundo dia.
Chu Yi’an despertou de um pesadelo aterrador.
Era madrugada, o céu carregado de cinza, e o mundo lá fora jazia em silêncio, interrompido apenas pelos ocasionais urros dos infectados e o arrastar lento e pesado de seus passos. Olhou o telefone: cinco horas da manhã.
Sem sinal, não conseguia carregar nenhuma página.
A energia elétrica também havia sido cortada.
Por sorte, na noite anterior deixara o telefone carregando sem retirar o cabo; a bateria indicava 97%.
Mas sem rede, sem possibilidade de chamadas… de que adiantava um telefone?
Lavou o rosto e voltou ao assento; enquanto comia para enganar a fome, tentava ocupar-se com outros conteúdos no celular. Contudo, sem internet, o aparelho não servia para nada além de iluminar como uma lanterna.
A solidão e a ansiedade a consumiam.
Após algum tempo vasculhando inutilmente o telefone, estava prestes a desistir quando notou um pequeno ícone oculto—a função de rádio.
O rádio, ou transmissor, é um aparelho que converte sinais de onda em áudio, permitindo ouvir transmissões mesmo sem acesso à rede ou telefonia. Quem entende um pouco de rádios sabe: quando tudo falha, estes dispositivos que captam ondas são verdadeiros salvadores.
Um súbito ânimo a tomou; ela ativou o rádio do telefone e iniciou a busca de frequências.
No começo, apenas chiados preenchiam o aparelho.
Confinada ao quarto, dedicou-se inteiramente a tentar sintonizar alguma transmissão. Por volta das dez, de súbito, o chiado deu lugar a uma voz:
[Saudações, ouvintes. Esta é a Rádio Distrito 11.]
[Atualmente, uma catástrofe viral de proporções globais está em curso. Pessoas mordidas são infectadas instantaneamente. O vírus atua de forma rápida: o infectado morre em dez segundos e, após a morte, transforma-se em zumbi, atacando humanos sadios.]
[Principais características dos zumbis: visão normal, audição cinco vezes superior à humana. Durante a busca ativa por vítimas, atacam com o máximo de vigor físico que possuíam em vida; na ausência de alvos, entram em estado de dormência.]
[Atenção: não há vacina ou tratamento. Mantenha-se afastado dos infectados.]
[Atenção: o condado de Fulun, na cidade de X, é a única zona segura do Distrito 11.]
[Esta mensagem será repetida em ciclo.]
Zona segura!
Chu Yi’an sentiu-se revigorada: finalmente sabia onde estava o refúgio. De repente, encontrou um objetivo, um norte para sua luta.
Mas… onde ficava o condado de Fulun, na cidade de X?
Ao ponderar, sentiu-se perdida novamente.
Logo, porém, percebeu que, nos documentos escolares sobre a mesa, no canto inferior direito, lia-se em letras miúdas:
[Departamento de Divulgação do Instituto Guangda, Cidade C]
Além dos panfletos, os bilhetes de transporte encontrados no dormitório também indicavam viagens de outras cidades para a Cidade C.
Perfeito. Assim, podia descartar a possibilidade de estar em X.
Respirou fundo, sentindo-se esmagada pela vastidão incerta do caminho que teria de trilhar. Mas precisava partir; caso contrário, mesmo que sobrevivesse cinco dias no dormitório, o destino final seria a morte.
Olhou para as reservas de água e comida, preparando-se para embalá-las e organizar a partida.
Espere!
Chu Yi’an de súbito recordou que, antes de entrar no jogo, recebera um item especial. Abriu a mão, fitando o pequeno símbolo em sua palma.
A pele da mão começou a aquecer levemente, e uma caixa instantaneamente se materializou em suas mãos.
Era do tamanho de uma caixa de fones de ouvido, incapaz de conter quase nada. Sob seu comando mental, a caixa expandiu-se até atingir um metro cúbico. Seu corpo irradiava luz dourada, e, acima dela, surgiam as palavras:
[Deseja utilizar a habilidade: Do Nada, Algo Surge?]
Habilidade “Do Nada, Algo Surge”: durante o jogo, o baú mágico gera aleatoriamente um item. Após o uso, a habilidade entra em recarga por três dias.
Chu Yi’an recordou-se vagamente das instruções; finalmente, sentia no ar o espírito de um jogo.
Escolheu “sim”.
A caixa se abriu sozinha, preenchida por uma luz branca intensa. Ela enfiou a mão e tateou até encontrar algo frio e pesado, como um bloco de ferro.
Na sua frente, uma tela translúcida se projetou:
[Uma pistola de calibre 9 milímetros, com munição infinita, disparo único.]
[Observação: será recolhida ao final desta rodada do jogo.]
[A voz do item: Comigo, você tem sorte!]
Com você, sinto-me verdadeiramente afortunada!