Capítulo Três: Tocando o Sobrenatural

Kekasihku adalah seorang putri Krypton. Xu Shaoyi 2900kata 2026-03-13 14:46:01

O dia inteiro de aulas passou sem que ele conseguisse prestar atenção; assim que a escola terminou, Xi Nian apressou-se a voltar para casa.

No entanto, ao chegar à porta de casa, deteve-se subitamente.

Será que aquilo que permaneceu inalterado por tantos anos poderia, de fato, mudar por causa de uma fotografia antiga? Esse pensamento inesperado surgiu em sua mente, apertando-lhe o coração com uma sensação súbita de inquietação. Xi Nian permaneceu imóvel, o olhar fixo na porta pesada e silenciosa.

Cerca de dez segundos se passaram.

O ar frio do inverno se infiltrava incessantemente pela escada do lado de fora; a palma da mão de Xi Nian, que segurava a chave, começava a transpirar. Justo quando decidiu abrir a porta, ela se abriu de dentro para fora com um estalido.

Uma mulher, impecável sob qualquer olhar exigente, estava parada na entrada.

Parecia ter apenas vinte e oito anos. Os cabelos negros, perfeitamente arrumados e presos, conferiam-lhe um ar de inteligência refinada; o rosto, de traços delicados e maquiagem suave, era de uma beleza sem mácula. Os olhos, azuis como recortes do céu, eram realçados por sobrancelhas negras levemente arqueadas, que lhe emprestavam uma aura de determinação.

Vestia uma camisa branca larga e elegante, acompanhada de calças sociais, revelando parte das graciosas curvas de sua figura alta e esguia. O mais admirável, contudo, era a combinação de uma nobreza digna de uma rainha com uma naturalidade descontraída.

Nobreza e espontaneidade.

Essas duas qualidades, tão opostas, não se chocavam ali; ao contrário, fundiam-se de maneira sutil e perfeita.

Instintivamente, Xi Nian chamou a mulher à sua frente: “Tia.”

“Entre,” respondeu Diana Prince, sem questionar por que Xi Nian estava parado diante da porta. Ela se abaixou levemente, desenhando uma curva perfeita da nuca à cintura, e pegou um par de chinelos no armário ao lado, colocando-os sobre o tapete diante dele.

“Tia, eu...” Xi Nian abriu a boca, sentindo que não deveria ocultar nada daquela mulher, como há dezesseis anos, mas não sabia como começar.

“Jante primeiro,” Diana pareceu perceber algo e interrompeu-lhe, voltando-se para a sala.

Xi Nian relaxou, pendurou a mochila num gancho junto à porta, calçou os chinelos e a seguiu.

Na sala, iluminada por uma luz quente, duas porções de espaguete fumegavam sobre a mesa. Ao lado, molho de carne, óleo de pimenta e água fria. Diana e Xi Nian sentaram-se frente a frente, cada um em silêncio, resolvendo sua refeição.

“Espaguete de novo,” murmurou Xi Nian, reconhecendo o prato familiar e, por um instante, esquecendo a atmosfera pesada de antes.

A tia Diana, com o rosto sereno, respondeu friamente: “Já é sorte ter o que comer — e ainda reclama.”

“Sim,” respondeu Xi Nian, resignado, apressando-se a devorar seu colorido espaguete.

Sua tia era perfeita por fora e por dentro, exceto pelo talento culinário, sempre limitado. Ainda assim, comer aquilo o fez recordar a infância.

Lembrava que, naquela época, a tia sequer sabia cozinhar.

“Cof, cof.” Xi Nian, comendo rápido, engasgou-se. Diana, sempre atenta, levantou-se imediatamente, aproximou-se e deu leves palmadas em suas costas: “Coma devagar,” disse, passando-lhe seu copo d’água.

Xi Nian bebeu um grande gole de água morna, sentindo o peito aliviar-se.

Então, tomou coragem e disse: “Tia... Hoje cedo alguém deixou uma foto em casa.”

Enquanto falava, colocou a fotografia sobre a mesa e contou o ocorrido pela manhã.

Diana não se mostrou surpresa; ouviu-o em silêncio, mas ao ver a foto em preto e branco, um leve tremor passou por seus olhos.

Quando Xi Nian terminou, Diana recolheu a fotografia, voltou ao seu lugar e disse com voz suave: “Sei quem deixou a foto. Vou cuidar disso. Não precisa se preocupar.”

“Está bem,” respondeu Xi Nian, confiante de que a tia resolveria tudo, mas, movido por inquietação e curiosidade, perguntou: “Tia, naquela foto, a pessoa vestindo aquela armadura estranha...”

“Já que deseja saber, vou lhe contar,” disse Diana, o rosto frio e grave, ponderando antes de falar: “Sim, era minha avó. Ela faleceu há muito tempo. Ouvi que, durante a Primeira Guerra Mundial, ajudou o exército a combater forças misteriosas.”

“Forças misteriosas? Seriam deuses, como dizem?” Xi Nian arregalou os olhos, lembrando que, segundo as lendas, a guerra foi causada pelo deus da guerra.

Diana balançou a cabeça: “Tudo isso é muito antigo. Só ouvi minha mãe mencionar, quando eu era criança.”

Ela hesitou: “Mas, afinal, não existem deuses neste mundo.”

“Verdade,” assentiu Xi Nian, finalmente aliviado.

Diana também relaxou discretamente.

“Marquei um encontro com uma amiga; vou sair daqui a pouco e talvez volte tarde,” explicou Diana, tomando um gole de água. Xi Nian, então, percebeu que ela usava o mesmo copo que lhe dera antes.

“O que foi?” Diana pousou o copo, curiosa.

“Nada, nada,” Xi Nian respondeu, apenas porque se lembrara de algo súbito.

Ele havia usado o copo da tia; agora, ela usava o copo de novo.

Não seria isso um beijo indireto?

Beijar indiretamente sua tia não era nada demais; na infância, Xi Nian e Diana tomavam banho juntos. Talvez por isso, até hoje, nenhuma garota despertava seu interesse.

Como quem já viu obras-primas como Fullmetal Alchemist ou Code Geass, e depois acha qualquer outro anime insípido.

Mas agora, surgiu uma dúvida.

Um beijo indireto poderia ativar o [Senhor dos Vínculos]?

Xi Nian não pôde evitar pensar nisso.

Nunca testara seus poderes; só sabia das três condições para ativar o [Senhor dos Vínculos]:

Precisa ser com o sexo oposto.

Exige contato íntimo.

Deve haver troca de líquidos.

Sua tia era, evidentemente, do sexo oposto — e de beleza incomparável.

Quanto ao contato íntimo, não sabia se a palmada nas costas contava.

O principal era a troca de líquidos; ainda que tenha acontecido, foi neutralizada pela água no copo.

Portanto, provavelmente não haveria problema.

Xi Nian, distraído, continuou pensando nisso até o fim do jantar simples.

“Não me espere; vá dormir cedo,” disse Diana, com tom afetuoso de quem acalma uma criança, deixando Xi Nian entre o riso e o constrangimento. “Entendido. Cuide-se, não temos super-heróis residentes na cidade.”

No momento, apenas Nova York, Gotham e Metrópolis possuem residentes como Homem de Ferro, Batman e Superman, por serem suas cidades natais.

“Não se preocupe, sempre tive sorte. Você, cuide bem da casa e não saia por aí,” Diana piscou, sorrindo tranquilamente, calçou botas altas de inverno e saiu.

A casa mergulhou novamente em silêncio.

Xi Nian olhou para a porta fechada, sentindo um vazio inexplicável, relembrando a conversa.

“O assunto da foto acabou assim?” murmurou.

Se a foto realmente representava apenas a avó da tia, o que motivou quem a deixou ali?

“Algo me diz que não é tão simples,” pensou Xi Nian, um tanto distraído, recolhendo os pratos — até ouvir um estalo agudo.

Assustado, baixou os olhos, as pupilas dilatadas.

O copo em sua mão explodira em cacos, como se tivesse sido submetido a uma força brutal além de sua resistência; os pedaços de vidro espalharam-se pelo chão.

“O copo? Não — é meu corpo...”

Sua mão não sofreu nenhum arranhão; ao contrário, sentiu uma força inédita, capaz de esmagar e destruir tudo.

Alucinação? Ilusão?

Atônito, Xi Nian olhou para o garfo e a faca de metal na outra mão; ao mover os dedos, viu o metal se dobrar e deformar com facilidade.

Na base do cabo, havia uma marca clara de seus dedos.

Cada gesto, revelando o extraordinário!

“O quê?” Xi Nian ficou completamente perplexo.