Capítulo Dois: Acelga Agridoce e Picante
【O Sistema do Deus da Culinária foi ativado. Por favor, vincule em até doze horas uma casa de comidas que lhe pertença. Cumprindo a tarefa, receberá um kit de iniciante...】
Kit de iniciante—embora desconhecesse seu conteúdo, diante de um benefício tão imediato, Song Yiren não quis desperdiçar a oportunidade.
E, diante de si, havia uma loja pronta. Song Yiren tentou vinculá-la ao sistema.
【Parabéns ao hóspede por vincular com sucesso a loja ao sistema: recebeu o kit de iniciante, a receita de “Repolho Agridoce Supremo” e um conjunto completo de utensílios do Deus da Culinária.】
Song Yiren jamais imaginara que o vínculo seria realmente possível. Quando aquela voz mecânica soou em sua mente, sentiu a cabeça rodopiar, quase incapaz de acreditar.
Após o vínculo bem-sucedido, Song Yiren percebeu de imediato uma transformação no restaurante. O odor de mofo desaparecera; ao mesmo tempo, o ambiente parecia subitamente mais limpo. Os objetos eram os mesmos, mas havia um frescor, uma aura de renovação.
Mais notável ainda: na cozinha, surgira uma nova coleção de utensílios, reluzentes.
O fogão, de azulejos brancos, resplandecia em asseio; frascos de temperos, garrafas e potes estavam dispostos em perfeita ordem ao lado.
Havia também panelas de ferro, facas, tudo em seu devido lugar.
Na mente de Song Yiren, materializou-se ainda uma receita intitulada “Repolho Agridoce”, acompanhada do passo a passo e da memória do preparo, como se ela já houvesse executado aquele prato milhares de vezes.
A ânsia de tomar um repolho e iniciar imediatamente o preparo era quase irresistível.
Mas não havia repolho na loja; restava-lhe sair para comprar.
O sistema não fornecia ingredientes. Ao menos o mercado de hortaliças não era distante.
Atualmente, o preço de alimentos prontos era apenas um terço do das verduras frescas, razão pela qual poucos ainda iam ao mercado. Adquirir produtos prontos era mais econômico.
Em todos os lares, as compras faziam-se no supermercado: refeições rápidas, já prontas. Alimentos que se conservavam por longos períodos, dispensando qualquer habilidade culinária, e, ainda assim, aceitáveis ao paladar.
Consequentemente, neste tempo, raros eram os que sabiam cozinhar—salvo os profissionais.
Para Song Yiren, havia aí uma contradição: todos compravam comida pronta ou nutrientes líquidos, mas o status dos cozinheiros era altíssimo, sobretudo daqueles consagrados com estrelas.
Era estranho: se raramente se ia a restaurantes, onde tantos cozinheiros encontrariam emprego?
Por exemplo, a notícia recente: o mestre Liu Daqiang criara uma iguaria espiritual de nona classe, tornando-se o terceiro chef nove estrelas do planeta Huahua, vendo sua fortuna multiplicar-se em bilhões e tornando-se hóspede cobiçado por incontáveis figuras eminentes—um só prato, impossível de obter.
Claro, as manchetes traziam também outros temas: um homem, subitamente desperto para o talento do cultivo enquanto dormia, causou um incêndio quase consumando o edifício inteiro.
Ao final do artigo, um curioso anúncio de colchões: garantia-se que, usando aquele modelo, despertares de talentos não causariam incêndios, pois o colchão era antichamas.
Ao ver o preço do colchão, Song Yiren exclamou—dois milhões! Inacessível.
Song Yiren contava agora apenas duzentas moedas estelares; todo o resto, o homem aproveitador já lhe havia saqueado.
Por sorte, repolho era barato.
Os ingredientes principais do Repolho Agridoce eram: repolho, pimenta vermelha fresca, pimenta seca; os temperos: cebolinha, vinagre branco, molho de soja.
No mercado, Song Yiren gastou tudo—duzentas moedas.
A pobreza era extrema; o sistema não fornecia ingredientes.
Primeiro, limpou o repolho e rasgou as folhas em tiras. Depois, aqueceu o óleo na panela, adicionou o repolho.
Enquanto as folhas dançavam sob o fogo alto, a umidade do repolho escorria gota a gota ao fundo da panela, e as folhas amoleciam pouco a pouco.
Um aroma fresco tomou toda a cozinha.
Song Yiren acrescentou sal, vinagre, pimenta—os temperos.
Sob o auxílio desses ingredientes, o aroma foi inteiramente despertado: aquele cheiro ácido, picante, que abria o apetite de imediato.
O chiar do óleo, misturado ao aroma e à fumaça branca, espalhava-se levemente pela pequena loja, levado pelo vento.
·········
Embora fosse hora da refeição, poucos transeuntes havia pela rua—tratava-se de um bairro ermo.
Além disso, as pessoas já não caminhavam; voavam pelo ar.
Os carros tampouco circulavam pelo solo, mas flutuavam.
Restavam apenas camadas e camadas de fumaça de escapamento assentadas no chão.
Gu Jun era aluno da Primeira Escola Marcial, e seu ânimo estava atribulado.
Um grupo de pessoas descera recentemente da Cidade Celeste, vindo recrutar para a Primeira Escola Marcial, já que uma nova escola de mechas fora fundada na Cidade Celeste.
Afinal, por mais elevado que seja o kung fu, quem não temeria uma faca de cozinha? Muito mais um mecha!
Se carros são o sonho dos homens, mechas são o sonho supremo.
Por ora, mechas ainda estavam em fase de desenvolvimento; nem mesmo com dinheiro era possível adquirir um.
Ao entrar naquela escola, contudo, ganhar-se-ia um mecha.
O problema: o caminho dos guerreiros era distinto do dos pilotos de mechas.
A energia de uma pessoa é limitada; é preciso escolher.
Guerreiro de mecha ou cultivador—qual seria superior? Bastava olhar para a Cidade Celeste, pairando nas alturas.
Enquanto Gu Jun se debatia em dúvida, um aroma irresistível, tentador, chegou-lhe às narinas.
Decidiu: primeiro comeria, depois pensaria.
Havia estado vários dias em retiro, sem comer; agora, a fome era lancinante.
O aroma era ácido, picante, fresco, e o vento o conduzia diretamente ao seu olfato.
Que cheiro seria esse? Devia ser coisa de um chef estrelado!
Desde quando havia chefes tão notáveis nas redondezas da escola?
Gu Jun inalou profundamente o aroma, que se tornava cada vez mais intenso.
O desejo de comer crescia, avassalador.
Ao mesmo tempo, sua boca começou a salivar descontroladamente.
De súbito, uma lufada de vento dissipou o aroma denso.
Só então Gu Jun recobrou a consciência.
Sentiu uma umidade fria no canto da boca, ouviu um “ploc” suave no chão.
Ao passar a mão, espantou-se—
Estava babando!
Apressou-se em limpar o rosto e olhou ao redor—felizmente, ninguém o vira naquele estado; seria vexame demais.
Como podia aquele cheiro superar em tanto o das refeições preparadas pelo chef uma-estrela da cantina da escola?
A ponto de fazê-lo salivar!
Desde criança, Gu Jun provara de tudo, manjares de montanha e do mar.
Sacudiu a cabeça, atribuindo aquilo à fome, e apressou o passo, guiando-se pelo aroma.
Passou por várias barraquinhas próximas à escola; seus cheiros ostentavam uma nota de essência industrial vulgar, distante daquele aroma que o atraíra.
Logo, chegou diante de um restaurante num canto da rua.
“Restaurante Yiren?”
Lembrava-se—um colega comentara que a dona daquele lugar era belíssima. Por isso, motivado pela beleza da proprietária, foram comer ali uma vez—e sofreram de diarreia incessante.
Gu Jun hesitou. Entrar ou não? O caso era famoso na escola. Mas o aroma irresistível o fez atravessar o limiar.