Capítulo Seis: O Saboroso e Picante Repolho Chinês

Aku Membuka Restoran di Antarbintang Xiao Tangzi 2436kata 2026-03-17 03:12:24

A gata preta percebeu que Song Yiren, por ora, não conseguiria atacá-la.
Sentiu-se então ainda mais confiante, começando a provocar deliberadamente Song Yiren.
Song Yiren, por sua vez, fingiu estar ofegante, exausta; sua resistência física era limitada, mas ela sabia usar a inteligência.
Fez questão de aparentar estar envergonhada pela própria ira, frustrada por não conseguir alcançar a gata e completamente impotente diante dela.
A coragem da gata preta também se agigantou, e ela foi se aproximando, cada vez mais, de Song Yiren.
Foi então que Song Yiren, num átimo, imobilizou a gata preta, cravando uma mão sobre a garganta do destino felino, na base do pescoço,
enquanto a outra mão descia em sonoros tapas.
— Eu deixo você comer de graça!
— Eu deixo você comer de graça e ainda ousa se voltar contra mim? — Eu permito sua arrogância, seu orgulho, seu desprezo por mim.
— Da próxima vez que quiser comer, terá de pagar, entendeu?
— Se não tiver dinheiro, barteremos! Traga manuais de técnicas para trocar!
[...]
Depois de ver a gata preta subjugada, Song Yiren relaxou a mão e a soltou.
Assim que se viu livre, a gata preta mudou de atitude num instante, rosnou baixo, recuou alguns passos com o corpo tenso, a cauda ereta e apontada para o chão, exibindo garras afiadas, seu corpo exalando uma aura de assustadora ferocidade — como ousava aquela mulher tratá-la assim? Faria com que ela pagasse caro por tal atrevimento.
Song Yiren, ao perceber a súbita mudança de humor da gata, não se deixou intimidar; correu até a cozinha, apanhou uma faca de cortar legumes e, ameaçadora, declarou:
— Você tem garras, eu tenho faca. Quero ver se suas garras são mais afiadas que a minha lâmina.
Se não aceita vinho oferecido, terá de beber o vinho do castigo. Se quiser comer mais, terá de pagar.
A gata preta lançou um olhar apreensivo à faca que Song Yiren empunhava; em seus olhos brilhou um lampejo de temor. Não atacou, e após alguns miados dirigidos a Song Yiren, correu para fora.
Song Yiren não esperava que a gata fugisse assim; tampouco compreendeu seus miados.
Apenas supôs que ela fugira por medo.
Que azar.
Song Yiren arrumou novamente o restaurante.
Depois, sentou-se, absorta, contemplando o vazio: havia preparado tanta comida e, no entanto, não viera cliente algum — um desperdício lamentável.
[...]
No refeitório da escola.
Gu Jun e alguns colegas acomodavam-se juntos para a refeição.
O chef da escola de artes marciais fora contratado a peso de ouro pelo diretor, temendo que, se os alunos não se alimentassem bem, sua cultivação ficasse para trás.
No balcão, uma profusão de iguarias se alinhava: carne de porco ao molho, peito de boi com tofu seco, costelas ao alho...

Dispostas na vitrine do refeitório, reluziam em apetitosa abundância, despertando o apetite à simples visão.
— Gu Jun, o chef criou, segundo receitas ancestrais, um prato novo: almôndegas de leão ao molho. Prova!
Gu Jun contemplava aqueles pratos de apresentação impecável, minuciosamente preparados, e se perdia em pensamentos.
De fato, eram bons.
Pareciam deliciosos, e até o visual era refinado.
Em outros tempos, diante de tamanha fartura, já teria se lançado ao banquete sem pensar.
Contudo...
Gu Jun, de repente, sentiu-se distraído, sem saber por quê, e uma lembrança lhe veio: aquela travessa de acelga agridoce.
O aroma ácido e picante do repolho parecia ainda pairar no ar.
Fechou os olhos para recordar.
Logo sentiu a boca encher-se d’água, evocando o sabor do arroz frito com ovo.
Mesmo assim, por insistência dos colegas, pediu uma porção das almôndegas de leão ao molho.
A apresentação era vistosa, o prato prometia.
Mas, ao levar uma garfada à boca, Gu Jun franziu levemente o cenho.
Um lampejo de desagrado cruzou-lhe o olhar.
Salgado e picante demais, e, sobretudo, enjoativo; forçando-se a engolir, terminou o pedaço de carne que lhe provocava repulsa.
O sabor era, realmente, decepcionante.
No entanto, o chef do refeitório era considerado um dos melhores de Nebulosa, mestre insigne das artes culinárias.
Mas o prato não chegava nem aos pés daquela acelga agridoce!
Um colega, vendo Gu Jun largar os talheres, perguntou, curioso:
— Gu Jun, por que parou de comer? Hoje é dia do chef três-estrelas! Só temos essa chance uma vez por semana!
Gu Jun lançou um olhar ao amigo e não conteve a resposta:
— É mesmo? Achei o sabor bem comum.
Mal acabara de falar, todos os colegas ergueram a cabeça, encarando-o com assombro.
Afinal, era prato do chef três-estrelas — como poderia ser comum?
Todos devoravam, satisfeitos, o conteúdo das tigelas; para eles, era uma iguaria!
Como poderia ser comum?
Mas Gu Jun apenas os observava comer, imóvel, sem tocar nos próprios talheres.
Seus olhos, vazios, não traíam emoção alguma.

Naquele instante, travava consigo mesmo uma batalha interna.
Era hora da refeição; já deveria estar comendo.
Noutras ocasiões, vendo os amigos comerem com tanto gosto, já teria começado.
Mas desta vez, por mais atraentes que fossem os pratos à sua frente, não sentia o menor apetite.
Fitava a bandeja e só pensava na acelga agridoce.
— Amigo, você nem provou ainda. Que desperdício! Deixa que eu como para você!
— Fique à vontade — respondeu Gu Jun, generoso.
— Gu Jun, o que houve? Está sem vontade de comer, por acaso está apaixonado por alguma garota daquele restaurante? Nós, estudantes de artes marciais, não podemos nos envolver, ou perderemos nossa energia vital e jamais romperemos o limite do inato.
Um colega, preocupado, tentou aconselhá-lo.
Outro brincou:
— Aguente firme, quando entrarmos na universidade, tudo melhora; ou então escolha o curso de mechas, aí poderá namorar à vontade.
— Que conversa é essa! — rebateu Gu Jun. — Descobri um restaurante perto do portão da escola, o sabor é extraordinário, muito melhor que o da cantina. Se quiserem, depois do almoço, levo vocês lá.
— Sério que existe um restaurante assim? — duvidou um colega.
— Claro que sim! Eu pago, vocês vêm?
— Gu Shao é generoso!
[...]
Os colegas, sem muito o que fazer, logo começaram a bajular Gu Jun.
No dormitório, ele era o de melhores condições; os demais vinham de famílias comuns — não por acaso, não desperdiçavam comida, aproveitando até as sobras de Gu Jun.
Além disso, a comida do refeitório era caríssima: um prato custava mil moedas.
As carnes não eram comuns, mas de feras exóticas, cheias de energia. Ainda que o preço fosse subsidiado pela escola, era um gasto considerável.
Para uma família comum, mesmo com pais ganhando dois ou três mil por mês, comer sempre no refeitório logo levaria à ruína.