Capítulo Quatro: O Diário Insólito

Aku Membuka Restoran di Antarbintang Xiao Tangzi 2380kata 2026-03-14 14:39:44

Sob o próprio colchão, Song Yiren encontrou um diário de páginas amareladas. As lembranças de Song Yiren acerca de sua vida anterior não passavam de fragmentos difusos, lampejos fugidios, como quadros a se sucederem em um zootropo. Afinal, Song Yiren frequentemente se esquecia até mesmo das senhas de seus próprios sites — quanto mais recordar-se da memória de outrem.

Daquele diário, Song Yiren guardava apenas uma vaga lembrança. Recordações detalhadas, estas lhe escapavam por completo. Contudo, ao abri-lo, Song Yiren ficou atônita.

Ano Estelar 30, oito de fevereiro — Mamãe e papai insistem para que eu aprenda culinária, mas não quero ser cozinheira. Sinto que não devo ser uma pessoa comum, tampouco uma chef. Eu deveria ser uma princesa.

Ano Estelar 30, nove de fevereiro — Tenho a sensação de que algo me observa às escondidas. Estou com medo e, ao mesmo tempo, sinto que esqueci de algo.

Ano Estelar 30, nove de março — Hoje, forçada por meus pais, peguei a faca de cozinha. Não sei por quê, mas acredito que não devo me tornar chef. Eu deveria ser uma princesa.

Ano Estelar 30, quinze de março — Quero testar meu dom novamente, pois sinto que possuo talento. Contudo, meus pais me impediram.

Ano Estelar 30, vinte de março — Hoje vi Fu Yanzhi pela primeira vez. Ele é tão belo! Gosto muito dele. Jamais conheci alguém tão perfeito. Sinto que ele é o meu príncipe.

·········

Ano Estelar 30 fora o ano em que os pais da antiga Song Yiren faleceram. Por que razão a jovem teria redigido tal diário?

À primeira vista, Song Yiren julgou aquelas linhas fruto de devaneios infantis — afinal, quando pequena, ao assistir ao drama “A Princesa e o Plebeu”, também se imaginava talvez uma princesa.

Todavia, à medida que avançava na leitura, percebia uma obstinada obsessão da antiga si mesma. Tal pensamento era recorrente em cada página do diário.

Além disso, algo parecia observá-la em segredo. Embora a jovem fosse romântica ao extremo, padecendo de síndrome da princesa, a intuição feminina raramente falha.

O que, afinal, ela teria esquecido?

Song Yiren investigou minuciosamente a memória de sua predecessora, descobrindo que apenas as recordações da infância eram nítidas; as da vida adulta, turvas e distantes. Exceto pelas lembranças relacionadas ao Campo Petrolífero de Daqing, tudo o mais era enevoado — até mesmo os rostos dos pais quase se dissiparam de sua mente.

Após a morte dos pais, o diário cessara. Suas páginas, agora, estavam amareladas pelo tempo.

“Querida, o que está olhando?”

De súbito, uma voz surgiu às suas costas, assustando Song Yiren a ponto de lhe faltar o ar, as almas fugindo-lhe do corpo; o diário escapou de suas mãos, caindo no chão com um baque seco.

Song Yiren inclinou-se para recolhê-lo, mas foi impedida pela tigela de sopa que Fu Yanzhi trazia em suas mãos.

“Querida, saíste tão apressada esta manhã que nem pudeste tomar a sopa que preparei para ti. Ficaste o dia todo sem comer, deves estar faminta”, disse Fu Yanzhi, com uma delicadeza extrema.

Mas, por alguma razão, ao encarar aquela tigela, Song Yiren recordou-se de uma icônica cena: “Da Lang, está na hora de tomar o remédio”. Instintivamente, Song Yiren desconfiou das intenções gentis de Fu Yanzhi — só podia querer envenená-la para herdar seus bens.

Cerrou os lábios, obstinada, recusando-se a abrir a boca por nada deste mundo.

“Querida, o que há contigo? Está toda suada de frio!”

Meu Deus! E agora? Ela só havia despertado um sistema de culinária, mas, de repente, o homem oleoso evoluíra — o que fazer?

Song Yiren achava que o Campo Petrolífero de Daqing, com toda sua untuosidade, era até simpático — causava apenas leve náusea, mas ao menos não ameaçava-lhe a vida.

“Fu Yanzhi, tua sopa hoje não está boa; o sabor não agrada. Decidi aprender a cozinhar, restaurar a tradição culinária da família Song, reerguer nosso restaurante ancestral. Vou ganhar muito, muito dinheiro para ti. Comprarei uma mansão, um carro flutuante... Não, viveremos em uma Cidade Suspensa, e lá te darei uma casa enorme.”

Song Yiren quis afastar a tigela, mas um cultivador era sempre um cultivador — Fu Yanzhi reagiu com tal presteza que ela sequer tocou sua roupa, enquanto a tigela permanecia imóvel em sua mão, sem derramar uma gota sequer.

Restou a Song Yiren um gesto constrangido, fingindo uma recusa, para então começar a desenhar promessas ao homem interesseiro — instilando nele esperança de riqueza, a fim de adiar qualquer intento homicida.

Embora lhe faltassem provas, e a memória da antiga não revelasse nada evidente, Song Yiren confiava em seu sexto sentido de mulher.

Fu Yanzhi era belo — mesmo exibindo feições cáusticas, jamais deixava de encantar. Contudo, nem a mais bela aparência disfarça a índole pérfida que se oculta sob a pele.

Song Yiren sabia, por instinto, que não deveria beber aquela sopa.

Sem poder ofendê-lo diretamente, limitou-se a dizer: “Obrigada! Deixa aí, eu tomo depois.”

“Quero ver você beber.”

A voz de Fu Yanzhi carregava uma ameaça velada. Seu olhar era glacial, a expressão mudava com rapidez assustadora — como um leopardo fixando a presa, o peso de seu olhar era quase palpável. Song Yiren sentiu que a qualquer instante ele poderia explodir em violência.

Diante de tal frieza, Song Yiren, amedrontada, decidiu ceder. Afinal, era uma covarde.

“Está bem.”

Pegou a tigela das mãos de Fu Yanzhi e, num só gole, esvaziou-a, retendo um pouco da sopa na boca — resistindo até o fim à ingestão do veneno.

Porém, Fu Yanzhi apertou-lhe suavemente a face, obrigando-a a engolir tudo.

“Ótimo!”

Song Yiren saiu de casa às pressas, sem notar o sorriso fugaz e sinistro que se desenhou nos lábios de Fu Yanzhi — um sorriso que só um demônio poderia ostentar, gélido o bastante para eriçar os pêlos da nuca.

De súbito, tudo parecia mais interessante.

O olhar de Fu Yanzhi recaiu sobre o diário esquecido no chão, que, num instante, reduziu-se a cinzas. Uma lufada de vento soprou as cinzas janela afora, dissipando-as no ar.

Song Yiren, ao descer as escadas, correu até um canteiro e forçou-se a vomitar, expurgando todo o conteúdo do estômago, apenas então sentindo-se aliviada.

De volta ao pequeno restaurante, finalmente experimentou uma ponta de segurança. Ali, o sistema de defesa era infalível: enquanto permanecesse no interior do estabelecimento, ninguém poderia lhe fazer mal — contanto que não provocasse o agressor primeiro.

Fora dali, Fu Yanzhi sabia manter as aparências e jamais ousaria atacá-la abertamente.

Era preciso arquitetar um plano para atraí-lo até ali e, então, induzi-lo a agir.

Naquela noite, Song Yiren decidiu dormir sobre uma das mesas do restaurante. Melhor resfriar-se do que perder a própria vida.