Capítulo Três: O Códice do Deus da Culinária

Aku Membuka Restoran di Antarbintang Xiao Tangzi 2537kata 2026-03-13 14:42:18

Naquele momento, Song Yiren despejava a couve-chinesa no prato, pretendendo servi-la para provar seu próprio talento culinário. Queria experimentar primeiro o sabor de sua própria criação.

Pela manhã, ao sair, ela não se dignara a comer a comida preparada pelo homem do Daqing, embora o aroma lhe fosse tentador.

Afinal, seu corpo original havia perecido de maneira estranha, e Song Yiren herdara suas memórias.

Ela ainda se recordava claramente: após comer uma única refeição feita por aquele “homem de arroz mole” do Daqing, o corpo original adormecera profundamente, e, de modo inexplicável, sucumbira. Em seguida, a dona daquele corpo passou a ser Song Yiren, de mesmo nome.

Além disso, nas lembranças da antiga Song Yiren, o tal homem do Daqing estava longe de ser o marido caseiro e dedicado que aparentava. A antiga proprietária deste corpo o amava profundamente, julgando-o perfeito. Porém, após a morte dos pais dela, a atitude do homem transformou-se, tornando-se fria e cruel, e ele passou a maltratá-la com frequência.

Contudo, por razões desconhecidas, ele nunca deixava de preparar-lhe, com esmero, as três refeições diárias, além de insistir que ela tomasse, todos os dias, uma tigela de sopa feita por suas próprias mãos.

Eram esses pequenos detalhes que faziam a antiga Song Yiren acreditar que aquele homem ainda a amava.

Mas, sob a ótica de Song Yiren, tais pormenores soavam demasiadamente suspeitos.

Ela, que já vira incontáveis notícias nas redes sociais sobre maridos que assassinavam esposas para fraudar seguros, estava convicta de que aquele sujeito tramava algo nefasto.

E o mais importante: Fu Yanzhi lhe causava uma sensação de incômodo inexplicável.

Enquanto Song Yiren se perdia nesses pensamentos, uma voz irrompeu abruptamente ao seu lado.

— Dona, está preparando couve chinesa? Que aroma delicioso! Sirva-me uma porção.

Gu Jun adentrou o restaurante e, de imediato, avistou o prato fumegante de couve nas mãos de Song Yiren.

Ao ouvir o pedido de um cliente, os olhos de Song Yiren brilharam de entusiasmo. Sem um centavo sequer no bolso, ganhar dinheiro era prioridade — e, de súbito, a fome lhe desapareceu.

Song Yiren imediatamente levou o prato até Gu Jun e declarou:

— Esta é a nossa nova especialidade: couve chinesa agridoce e picante. Experimente! Se não gostar, não precisa pagar.

Com um gesto solícito, Song Yiren ofereceu-lhe um par de hashis. Gu Jun os recebeu, e, com um lenço, limpou-os cuidadosamente.

Song Yiren ficou pasma — em pleno século atual, ainda havia homens que usavam lenço?

Gu Jun levou uma folha de couve à boca; o leve sabor azedo e picante espalhou-se, instigando-lhe as papilas gustativas e fazendo salivar. O talo estava crocante e delicadamente adocicado.

Um prato simples de couve, mas de camadas e nuances surpreendentes ao paladar, ácido e picante na medida certa.

O contraste entre a folhagem macia e a textura crocante do talo tornava a experiência ainda mais prazerosa.

Em poucas garfadas, Gu Jun devorou todo o prato.

— Dona, esta couve está divina! Sirva-me outra porção!

— Esta couve, com seu sabor ácido e picante, é diversas vezes melhor do que qualquer prato preparado por um chef de uma estrela que já provei! — elogiava Gu Jun, entusiasmado.

No íntimo, lamentava: “Deve ter sido obra de algum desalmado espalhar, nos bastidores, boatos de que a comida aqui era ruim. Por isso, mesmo estando tão próximo da escola, jamais havia vindo.”

De súbito, Gu Jun tomou uma decisão: não iria mais para a Academia de Mechas.

Afinal, ainda havia falhas nas mechas — eram feitas de materiais que isolavam ataques de energia espiritual, para evitar golpes furtivos de mestres marciais ou técnicas como o Rugido do Leão, e, por isso, não podiam ser controladas por poder mental, dependendo unicamente da destreza das mãos no teclado.

Imagine o quanto seria necessário treinar a velocidade dos dedos!

Um verdadeiro homem vence o mundo com os próprios punhos.

Mechas eram, em geral, para aqueles sem talento ou sem recursos para aprender artes marciais.

Além disso, quem, na Cidade Celeste, teria o privilégio de comer, diariamente, uma couve tão saborosa?

— Dona, há outros pratos além deste? — perguntou Gu Jun, após devorar cinco porções de couve agridoce e picante.

— Por ora, só tenho este. Assim que dominar outras receitas tão bem quanto esta, aumentarei o cardápio — respondeu Song Yiren.

— Com seu talento culinário, você certamente conseguiria um certificado de chef três estrelas na Associação de Chefs! Seu prato supera de longe os de chefs de uma estrela! — sugeriu Gu Jun.

— Eu também gostaria! Mas sou apenas uma pessoa comum.

Os ingredientes de uma culinária espiritual diferem dos ingredientes ordinários. Pratos comuns até poderiam tornar-se culinária espiritual, mas, no máximo, atingiriam o terceiro grau. E, embora Song Yiren tivesse técnicas herdadas de um sistema, ela própria ainda era comum, razão pela qual seu prato não alcançara tal patamar.

Para tornar-se um chef estrelado, era preciso talento.

Neste mundo, fosse qual fosse a profissão, sem talento cultivado, ninguém atingia o ápice.

Gu Jun calou-se, percebendo sua falta de tato. A dona do restaurante era tão jovem — se tivesse talento, não teria aberto um estabelecimento tão cedo.

Pensou em consolá-la, dizendo que, antes dos dezoito anos, ainda havia chance de despertar talento para o cultivo. Mas receava que Song Yiren já tivesse completado dezoito, e aquilo só a magoaria.

— Apenas cento e cinquenta moedas? Tão barato assim? — Song Yiren pretendia cobrar trinta porção, mas, ao ouvir a oferta, percebeu que o cliente aceitava o valor sem questionar.

Com cento e cinquenta moedas estelares nas mãos, já tinha o dinheiro para comprar ingredientes no dia seguinte.

Song Yiren serviu-se de uma porção de couve agridoce e picante, sentando-se para saborear, satisfeita.

[Plim! Parabéns, hospedeira, por receber elogio culinário. Ganhou talento de cultivo do “Códice do Deus dos Chefs”.]

Talento de cultivo! Ela finalmente possuía.

Song Yiren quase saltou de alegria — finalmente não era mais inútil.

Agora lutaria para cultivar e reconquistar seus bens. Aquela loja, aquela casa eram dela, e faria com que aquele nojento, interesseiro, fosse expulso de mãos vazias.

O “Códice do Deus dos Chefs” era a técnica básica de cultivo de todos os cozinheiros interestelares, e a mais acessível, pois não demandava muitos recursos.

Song Yiren decidiu vasculhar a casa, em busca do método de cultivo do códice.

Sem um tostão, não tinha como comprá-lo.

Ao meio-dia, o sujeito sem vergonha provavelmente sairia para se divertir — talvez nem estivesse em casa.

Song Yiren fechou o restaurante e, discretamente, pedalou até sua residência.

Como podia um meio de transporte tão arcaico ainda não ter sido abolido? Um absurdo.

Ao abrir a porta, percebeu que realmente não havia ninguém.

Song Yiren foi até o quarto dos pais do corpo original. Eles adoeceram quando ela era jovem e, para cuidá-la, trouxeram Fu Yanzhi como esposo adotivo.

Após o casamento, seus pais faleceram, e todas as providências fúnebres foram tomadas por Fu Yanzhi.

Do guarda-roupa, haviam desaparecido roupas e joias de outrora.

O quarto, agora, estava vazio.

Song Yiren suspeitava que tudo fora vendido pelo avarento Fu Yanzhi.

Revirou o cômodo, mas não encontrou manual de técnicas, nem mesmo um diário.

O ambiente parecia limpo demais — assemelhava-se a um quarto desabitado.

Song Yiren então mirou o quarto de Fu Yanzhi, mas estava trancado. Não havia como entrar.

Restou-lhe retornar ao próprio quarto, na esperança de encontrar algo de valor para vender.

Ela precisava cultivar. Precisava esmagar o canalha.